Reflexões sobre o sacerdócio: Carta a um jovem padre (Avulso) (Portuguese Edition)


Free download. Book file PDF easily for everyone and every device. You can download and read online Reflexões sobre o sacerdócio: Carta a um jovem padre (Avulso) (Portuguese Edition) file PDF Book only if you are registered here. And also you can download or read online all Book PDF file that related with Reflexões sobre o sacerdócio: Carta a um jovem padre (Avulso) (Portuguese Edition) book. Happy reading Reflexões sobre o sacerdócio: Carta a um jovem padre (Avulso) (Portuguese Edition) Bookeveryone. Download file Free Book PDF Reflexões sobre o sacerdócio: Carta a um jovem padre (Avulso) (Portuguese Edition) at Complete PDF Library. This Book have some digital formats such us :paperbook, ebook, kindle, epub, fb2 and another formats. Here is The CompletePDF Book Library. It's free to register here to get Book file PDF Reflexões sobre o sacerdócio: Carta a um jovem padre (Avulso) (Portuguese Edition) Pocket Guide.

Serrano, professor da escola mcdico-cirurgica de Lisboa, media com um compasso de espessura o craneo que se acfoa muito bem conservado e naostta ter de dhimetro longitudinal maximo 21 centimetros, — de diametro transversal maximo 15 centimetres — circunferencia i, o que corresponde a index cefalico de 71 con- tilIletros. Fran- cisco dc Assis, dentro de um cofrc dc ferro feebado por 3 chaves. Em caso de morte do vice-rei ou governador o cofre era conduzi- do solenemcnte pelas principals autoridades a Catedral, onde se abriam as cartas sucessivamente ate quo o nomeado para suceder fdsse o que estivesse na India.

Na falta das vias de sucessao procedia-sc de diferentes modos: Educado na escola da severidade, D. Henrique, a-pesar de con tar apenas 29 anos, colocou-se altura do vellio Gama, como era necessArio para nao deixar reagir com maior forja a hidra das paixoes, que, du- rante a curta administragfto anterior, havia sido eu6r- gicamente comprimida. Querendo arredar-se do pro- cedimento culpado dos seus predecessores caia por vezes no excesso contrdrio. Ejfectivamente foi ura homem intrepido e desinte- ressado. No intiiito de repritnir essa turba de piratas, D. Joao de Limae a reduziu a extremos apuros.

Havia no exercito inimigo um renegado siciliano, mestre na arte dos assAdios, que inventava diversos T Barros Dec. Entretanto aos sitiados faleciam provisoes ; e os auxilios que, nao obstante o rigor do inverno, iam de Cochim mandados por D, Henrique, e de Cananor trazidos pelo capitao Heitor da Silveira, nao conse- guiam introduzir-se na fortaleza senao em pequena porgio e k custa de muito sangue derramado.

Joao de Lima das emboscadas e dos pianos secretos dos inimigos por utn meio de eomunicagao que havia con- vencionado ; e uni grumete por nome Bastido, que cantava em torno da muralha denunciando os segre- dos do ass6dio e ate as minas que os mouros come- fassem a abrir. Ap6s a morte de D. Henrique de Menezes a 2. Simao de Menezes pos em liberdade Pero Mascarenhas e reconheceu-o solbne- mente como governador, porque Lopo Vds ndo lhe aprescntava o alvard que dizia ter vindo de Portugal nomeando-o governador era prejuizo de Mascare- nhas.

E de facto, se Pero Masca- rennas tivesse recorrido ft violencia ou pelo menos tivesse reclaraado a autoridade com energia e firmeza, teria conseguido o apoio de um grande numero de fidalgos hesitantes e teria vencido ; mas o herdi de Bintaro receou provocar uma guerra civil e prejudi- cou h, sua pnipria causa. Em Goa tal era a exaltagSo de dnimos contra Lopo Vds, que rebentou uma conspiragdo, que oste conseguiu domar por meio de ameacjas e violoncias.

Reuniram-se em Cochim os doze juizes nomeados 63 e, a-pesar da justiqa incontroversa da causa de Pero Mascarenhas, houve divergoncia ; votaram seis a favor doste e os outros seis a favor de Lopo Vas. Segundo estava previsto, foi chamado urn decimo terceiro, Baltazar da Silva, ura dos capitaes das naus do reino ; e cste, provavelmente por insinuates de Afonso Mexia, desenipatou a favor de Lopo Vas. Es- tava consumada a iniquidade. Mascarenhas, vencido, partiu para a metrdpole e a relagao de Lisboa anulou imediatamente a sentenga do tribunal de Oochim, condenando Lopo Vas a pagar a Mascarenlias os ordenados de governador e dez mil cruzados de imlenisagiio.

Lopo Vas foi um governador activo e cuergico. Prosseguiu a guerra com os rajas de Calicut e de Cambaia, e queimou-lhes os paraos onde quer que os cnconlrasse. Era , ultimo auo do seu governo, tomou e iuccndiou a cidade de Porka, situada a 12 lcguas de Jochim. Ueparou e ampliou as fortalezas e, activando as construqoes navais, deixou aos sucessores uma boa esquadra, a par do tristissimo exemplo que ihes legara no seu procedimento com Pero Mascare- nhas. Parecia uma expediqSo mercenaria composta de mouros.

Nodia 22 de Fevereiro de surgiu Nuno da Cunha em frente de Diu ; esperava que a vista da sua formidAvel esquadra moveria o governador da cidade a render-se ; mas ficou desapontado, quando viu a cidade em uma respeitAvel atitude de defeza. Este titulo, junto a desig- nagfto da sua nacionalidade, substituiu o nome pr6- 66 pe- Tomada dr Bacaim prio de Mustafa, o Rumi-Khan foi transformado los nossos cronistas em Rumecao. Nuno da Cunha porem viogou-se. Diogo Botelho Pereira celebrizou-se entSo pela sua inaudita temeridade de partir, em uma pequena fusta, da India para Portugal levando esta boa nova a el-rei Construcfio da fortaleza de Bin Bayaim e das I em Tendo falecido em Ismail Adil-Khan, levanta- ram-se questfies de sucessdo entre os seus dois fi- lhos: Algnns anfcores dizom qnc e Meale Mallu mais novo e legitimo.

Assad -Khan, Acedecao utn digniturio da corte de Uijapur correspondeDte ao nosso condestavel, senlior de Belgao ede muitas terras ricas, favorecia o prmeipe Meale e o seouudava nas suas pretengoes ao trono ; pelo que, sendo perseguido como chefe do partido revoltoso, veiu acolher-se a soinbra dos portugueses c, para obter a sua protegiio, ofereceu-lhes as terras tie Salsete e Bardes, que llie pertenciain por doagfio do rei falecido. Jofio Pereira e, para lirmar a sua posse, maudou construit unm tranqueira forte ein torno do tcmplo de Mardol em Salsete ' , e cuja capitania den a Oristbvao de Figueiredo, tanadar- mdr de Goa.

Term insulas as disedrdias outre os prineipes indios, Assad -Khan foi obrigado pelo sen soberano a reaver as terras cedidas aos portugueses, mas o capitao de Goa iusistiu em eouserval-as. Daqui veio uma serie de escaramugas. Acudiu com socorro CristovSo de Figueiredo e, ap6s uma luta muito arriscada, porque andavam baralhados ambos os conteudores, conseguiu desprender os portugueses e recolhe-los na tranqueira, que os mouros pouco depois ccrcaram. Deu-se pois urn combate nesse campo ein 7 de Fevereiro de , era que os mouros forarn derrotados e Suleimao saiu ferido.

Para completar a vitdria, urn tanadar mouro, que pc- lejdra valentemente pela uossa parte, aceso em furor guerreiro foi com alguns eseravos e peoes no encalyo dos inimigos e, colhendo-os a tres lcguas de distancia, junto ao rio de Cuncolim, inatou-lhes muitos, alem dutn grande numero que se afogou ao atravessar o rio. A esse tempo Nuno da Cunha, regressaudo de Diu, tratou de prover de forga e in undoes a fortaleza de liachol, porque receava que o inimigo voltasse. Efectivaraente urna poderosa forga de 15, ho- mens enviada de Ponda.

Vendo entilo os mouros que era de necessidade to- lher a eutrada aos socorros que y inham de Agaqaim, mandaram uma parte das suas tropas para levantar 6n uma tranqueira s6bre um peuedo que se via do rio de Borim e vedar com a artelharia a passagera; mas, isto nsio Ihes den o resultado que esperavam, porque os bateis portugueses escapavam de noite ao fogo da ar- telharia. Atravessaram entao o rio com cadeias de fer- ro presas em grossas traves.

Afinal Nuno da Gunha enviou o capitito de Goa D. Gongalo Coutinho para expulsar o inimigo de Boritn; mas, vitima d'e traifslo, I. Nuno da Cunha desejava viugar Gste desastre; mas as lutas tnais serias que lhe cliamavam a atenqslo em outra parte, o compeliram a satisfazer as exigencias de Assad-Khan. Uma das guerras niais importantes que preocupa- vam o governador, era a que fervia entre o Samorim de Calicut e o nosso aliado, o raja de Cochim.

Nuno da Cunha achava nao dever coixtiuuar esta guerra para ndo distrair uma parte das suas tropas, que lhe eratr mais neccssarias cm Diu, onde a atmos- 70 fera comegara a turvar-se. Mas, Martim Afonso, quo estava ancioso por terminar a luta, lembrou-se de simplificar o problems. O raji de Calicut, vendo o seu projecto frustrado, quis ir vingar-se do rajd de Crauganor, que entrara na amizade dos portugueses; Martim Afonso porem com 90 soldados, iofligiudo-lhe uma derrota na passagem, obrigou-o a retroceder e calar-se.

Bahadur, que era um hometn ver- sdtil e caprichoso dc indole, a ponto de nunca ter um pensamento fixo, logo que se viu lirre dos mogois e pdde respirar, arrependeu-se das concessoes feitas aos portugueses, e, pelo pretexto de que estes praticavam freqhentes desordens em Diu, convidou todos os sobe- ranos do Malabar a expulsd-los da Iudia, ousando, em um momento de embriagues, revelar, entre ameagas sinistras, cate seu piano de exterminio ao prdprio capitfio da fortaleza de Diu, Manoel de Souza.

Bahadur- xi Bahadur, que a este tempo audava k caqa, sabeudo da chegada do governador, obsequiou-o com os despojos da cagada, que consistiam em veados e gazelas, uns sem cabegas, outros sem p6s, to- dos mutilados — o que era considerado entre os mouros um desafio — e pouco depois foi com a sua comitiva e contra a opiniao dos seus amigos visitd-lo ao galedo. Esta visita tinha por nm, segundo diz um escritor inaometano, dcsvanecer as suspeitas dos europeus e induzi-los a aceitar o convite para o banquets prqjec- tado. Terminada rapidamente a entrevista, que foi quasi muda, Bahadur, suspeitando talvez que os seus pianos secretos fossero conhecidos do governador, e receando ser atacaao, apressou-se a retirar saltando para a sua fusta.

Nuno da Cunha, que ainda tinha escrdpulo de o mandar prender por ter vindo em hdbito de paz, deu ordens aos seus para o acotnpanharem, concor iando finaimente, segundo se escreve, em que c condtizissem preso para a fortaleza. Eis o resumo do que se passou em Din a 14 de Fevereiro de , quanto o permitem as 8 versoes que hd sobre este facto, quatro portuguesas e quatro maometanas, todas diferentes em detalhes. Watson, que foi agente politico no Kathiavar. Este facto foi o formiddvel elemento de apoio para os mouros prepararem raais depressa a execujilo do seu piano jd tragado da expulsao dos portugueses da India.

Uma terrivel tera- pestade comegou a rugir por toda a India, e Antdnio da Silveira, capitiio da fortaleza de Diu, percebeu que a guerra era inevittivel. Infelizmonte os portugueses n3o podiam concentrar todas as f6rr;as na defesa de Dill; porque Martim Afonso de Souza, com uma armada, andava empenliado na guerra contra uma po- derosa esquadra que o Satnorirn expedira para vingar a afronta sofrida em Kepelim e Crangauor.

Em Agosto vierarn juutar-so ao inimigo mais 12 mil ho- mens comaudados por Lurkau.

Reflexões sobre o sacerdócio: Carta a um jovem padre (Avulso) (Portuguese Edition) eBook: Francis Cardeal Arinze: linawycatuzy.gq: Kindle Store. See details and download book: Download Textbooks To Nook Reflexões Sobre O Sacerdócio Carta A Um Jovem Padre Avulso Portuguese Edition Epub.

Em 8 de Setembro chegou a armada turca coman- dada por Suleyman Paxa, governador que f6ra do Egipto, e assestou a sua colossal artelharia e mons- truosas maquinas para atacar o baluarte da vila dos rumes, que por estar afastado da fortaleza nao podia ser socorrido. A este tempo 14 de Setembro de. A morte livrou-o de ser preso e agrilhoado pelo delegado del-rei, que o esperava na ilha Ter- ceira. Garcia de Noronha avisou Antdnio da Silveira de que, em breve, seria socorrido e come- gou a preparar uma esquadra.

Eotretauto os turcos comegaram a bombardear o baluarte da vila dos rumes e derribaram um pano do muro, por cujas ruioas, que lhes serviam de escadas, subiram homens ao assalto. Mas, imediatamen- te, apareceram no alto do baluarte dois portugue- ses intrepidos, que, atirando panelas de pdlvora infla- madas, rolando penedos e com toda a especie de armas, que lhes passavara os seus poucos companhei- ros, quAsi todos feridos, que sobreviviam ao bornbar- deio, sustaram o impeto dos inimigos. Nao podeudo, porem, contiuuar com uma defesa tao extraordinaria, Francisco Pacheco, obtida a licenga de Antdnio da Silveira, capitulou com a condigao de que teriam todos a vida salva, mas os turcos nao respeitarara a capitulagdo e degolaram todos sem piedade.

Ufanos com esta vitdria intimaram Antdnio da Silveira a que se reudesse ; mas tiveram uma repulsa dignameute audaciosa. Lopo Vas de Sampaio prendeu 6 seu rival Pero Mascarenhas. No aeto da prisSo, Lopo Vas dirigin-se ao onvidor genii nestas palavras: Assaltaram e repetirarn os as- saltos era dias sncesxivos ; mas. Entretanto a fortaleza ia perdendo defensores, que niio podiam ser substituidos ; o socorro prometido pelo vice-rei nao chegara ; os assaltos continuavam e. Em seguida, tentaram entrar pelas rui- nas da muralha e arvorar a sua bandeira.

Deu-se, entao, um combate furioso, em que os portugueses, pelejando como leoes, oferececam uma resistencia s6bre-humana. Dois meses depois da vitdria chegou a Diu a ar- mada de D. Garcia de Noronha reparou a fortaleza desmantelada e concluiu com o sultao de- Cambaia uraa paz vergonhosa, cedendo-lhe a peso de ouro a alfanaega da vila dos rumes e o levantamento dum muro entre a cidade e a fortaleza, alem de lhe fazer muitas concessoes que ele a ferro e fogo nao tinha podido obter.

A que os homens, diz ele, pelejavam com as tripas n'uma das mflos e t espada na ouira. So assim se pode compreender o que fizerar i! Joao de Albuquerque, que chegou a Goa em Garcia de Noronha em 3 de Abril do 2 , foi reconhecido por governador D. EstevIO da Gama, indicado na 2. Foi um governador algum tanto honesto.

No principio do ano partiu D. Jaz no centra da capela-mdr da so catedra! No- tarn se, contndo, graves defeitos nessa publicagSo, como num arti- go inserto no Boleiim Ofidal , n. Cristdvfto da Gama foi derrotado e morto pelo Xeique ; mas os portugueses, que escaparam k derrota, reorganisando um exdrcito com os soldados do Negus, salvaram a dinastia abissinia e o predominio do cristianismo naquelas regioes.

Estevao da Gama sucedeu jfartim AfoljSO dt Soon, que chegou a Goa em 6 de Maio de tra- zendo em sua companhia o padre mestre Francisco Xavier, que foi o Apdstolo benemdrito e 6 o santo dilecto da India. Martim Afonso de Souza, que, poucos anos antes, em capitao-mdr do mar da India praticara faqanhas herdicas, investido no governo deste Estado, tornou-se escandalcsamente avarento.

Contudo, in- tr5pido e activo corao era, houve no seu tempo muitos feitos gloriosos ; descobriu-se o Japao e sujeitou-se o reino das Molucas. As dissenqdes entre os principes de Bijapur, que haviam dado e tirado aos portugueses as duas provincias, renasceram com aspecto novo. Foi assirn que era estas peninsulas passarara pela quarta vez, l para o dominio portugues, onde, a-pesar-de repetidamente invadidas por Adil-Khan, como logo verenios, permaneceratn, ficando mais tarde incorporadas no Estado pelo tratado de paz de O governador, ouvido o seu conselho geral, assen- tou nao romper a paz com Ibraim Adil-Khan, deixando ticar Meale ein liberdade, como estava.

Assad-Khan, depois de receber esta noticia, faleceu de desgosto por lhe terem falhado as esperanqas de meter o Meale na posse do trono. A parte do territorio goes, permanentemeate ocupada pelos ixtrtugucses desdc a conquista. Afonso de Souza, Governador da ia, a Sua Magestade. Mas a fim assente como IlidalyOo, o qual me de opera El-rei nosso senhor as terras firmes daqui, que reudem 45 mil pardaos de juro e erdade, com grandes prometimentos e doayoes e soletiidudes, e alein disso me mandou 70 mil pardaos pera ajuda das armadas del Rey nosso senhor, e 20 mil pera my, a saber: Vem Deos a mata-o dahi a seis dias, e fica o Hidalyao por senhor pacifico de tudo.

E nao con- tents oom isto veo-se a my om mouro, que era muyto privado do Acedacfio, e meu amigo da outra vez que ca andey, e desta que tern recebido de my muyto boas obras: Finalraente Ibraim concertou com o governador a entrega do Meale em troca de 50 mil pardaus de ouro ; mas 6ste concerto ndo chegou ao efeito. Em foi creada a Relagiio da India; ate ai as causas crimes eram julgadas militarmente pelo audi- tor, que acompanhava sempre o governador.

Joao de Castro; 2. Luin da Sousa pag. Jofto de Castro, que mais tarde recebeu o titulo de vice-rei da India. Adil-Khan, indignado, declarou guerra ao governador e expediu uma grossa fdrga contra as terras de Salse- te, a qual, depois de varias saltadas, apresentou-se era sons de batalha ao pe da fortaleza de Ponda; mas, aos primeiros golpes das arrnas portuguesas, debandou-se para os sertoes abandonando a fortaleza.

Pouco tempo depois, em , emquanto D. Jofto de Castro se achava em Diu, Ibraim Adil-Khan, para vingar a derrota de Pondu, enviou um exercito de 20 mil homens, sob o comando de um dos seus aguerri- dos generais, por nome Salabat-Khan, que se apode- rou de Salsete. Liraitou-se por isso o capitfto a fortificar a pratja de Rachol e aparelhar alguns navios e m Aquinas, dando parte de tudo ao governador em Diu.

Jofto de Castro apressou-se a voltar para Goa e, sabendo que o inimigo se achava acampado em Margfto, foi bused- lo a este sitio, mas nfto encontrou senfto os arraiaes desertos com as tendas armadas, ca- mas e mesas e os caldeirdes com a ceia ao lume; pois, momentos antes, Salabat-Khan, informado da vinda do governador, precipitara a fuga para Cuncolim, sitio quejulgavade acesao dificil aos portugueses e raais vantajoso para o caso da luta.

Salabat- Khan, com dos seus, morreram no combate e mais dois mil durante a fuga. Joao de Castro foi recebido na cidade entre ovagoes e foi ordenada uma solene procissao de todas as confrarias das Ilhas, do cabido da Se e de todos os Religiosos de Goa, em louvor do apdstolo S. Tome, a cuja intercessilo o governador atribuia a vitoria alcangada.

Alvaro de Castro, correr a costa com seis navios. Alvaro tornou e arrasou a cidade de Carabre, obrigando assim Adil-Khan a pedir a paz, que lhe foi concedida. Em rebentou a guerra em Diu. Entre esses coutavam-se mil turcos. Reunirara-se, portanto, a favor dos inimigos os povos mais guerreiros do orL. O capitao da fortaleza, 1. Joao Mascarenhas, tinha apenas homens: Joao de Castro tinha de raanter ali o nosso predoml- nio, como fez. Khoja-Safar rorapeu o fogo contra a fortaleza e enviou uma nau com turcos para abordar o ba- luarte do mar; mas, D. Os portugueses, animados pelo seu intrepido capitao, nao cessavam de responder com o fogo da artelharia e arcabuzaria, que derribava muitos dos inimigos.

Ja sen tiara os nossos a falta de polvora, quando chegou o socorro de Goa, comandado por D. Fernan- do de Castro, mo o de 19 anos e filho mais novo do governador. Poucos dias depois o inimigo recebeu, tambem, um reforjo importante. Recrudesceram, entilo os combates e uma bala dos nossos r. Nesses confiitos era notavel o auxilio que presta- vam as mullieres dc Diu, principalmente I. Isabel Fernandes, conhecida pelo cognome de Vclha de Diu , acudindo aos nossos combntentes corn mantimentos, lanqas e panelas de pdlvora e aearretando pedras para reparar os rauros.

Tiago, e desalojou-o antes que a inaior parte da guarnigilo tivesse a noticia do perigo. Vendo Rume-Kban que o sistema dos assaltos nfio lhe aproveitava, inandou levantar nmas torres mais altas que a fortaleza; mas estas os portugueses eonse- guirarn destrui-las era sortidas, embora voltassetn dal inuitos feridos. Kntretanto recebeu o inimigo um socorro de 13 mil lioinens, sob o comando de Jezzar-Klian e, de- pois de terem experitnentado mais uma derrota ein um assalto geral, recorreram ao sistema das rniuas. O baluatre de S. Joao foi o primeiro que ininaram sera que os nossos o pressentissern.

O rebentar da mina destruiu o baluarte, morrendo 60 portugueses e entre files I. Fernando de Castro, ' que, obedecendo ao aviso recebido de L. Fernando dc Castro — Cunhu Uivsiru, ftiscriftocs de Diu. Apos o estrondo da explosfio, entraram turcos pelas ruinas do baluarte ; mas, em vez do muro esbo- roado, encontraram uraa barreira de 5 valorosos por- tugueses, que, opondo-lhes uma resistencia mais que humana, apararam o embate da corrente, at6 que acu- dindo os soldados, que pelejavara nas outras estancias, travaram uma renhida batalha e obrigaram o inimigo a desistir da emprCsa.

Mas, os assaltos coutinuaram reduzindo, cada vez mais, a uossa guarnigao. Felizmente, chegou a es- qu'adra de D. Joao Mascarenhas a comandd-los e D. Mas, a sortida saiu-lhes infe- liz, porque, alem de morrerem 35 dos nossos no com- bate, ficaram feridos mais de cem, iucluindo D. Aproveitando a vitoria ten tar am os inimigos tomar uum impeto a fortaleza, rnas forarn repclidos. A noticia desta derrota dos nossos foi assustar D. Joiio de Castro era Goa ; o qual imediatamente enviou a Dili uma armada de '22 caravelas sob o comando de Vasco da Cimha e, cm seguida, empregou toda a sua actividade e todos os recursos do Kstado em prepa- rar o Socorro decisive quo elf pn'tprio devia conian- dar.

As donas e donzctas de Chaul nao enviaram de pre- sente a D. Jodo de Castro as suas joias para o apresto da armada , em que detcrmimva passar a Diu. Confrontando uns documentos que leu, mostrou o erudito orador que, quando D. Jodo de Castro pediu aos cidadaos de Chaul o acompanhassem, e ajudassem na empresa de Cambnia, esses cida- daos se fizeram prestes em suas pessoas e em toda a sua fazenda e haveres; acrcscentando que, se para isso nao snprissem as fazendas, suas mulheres lhes ofcreciam a idea as joias, para despenderem na guerra: As primeiras palavras da carta de 1.

Catarina assim se expressava, claro esta pie nao era conhecida do governador a quuiitidade das joias de Chaul, ncm as tinha em seu pod or. Acresce a carta dos cidadaos, juc explica nao ser esse 88 A 17 de Outubro de , partiu de Goa D. JoSo de Castro corn uma poderosa esquadra e, tendo sido recebido na fortaleza, em 6 de Novembro, com grande a! Alem disto, Gunha Rivara diz ter descoberto, aqui em Goa, ou- tro documento, que corrobora as suas conclusOes. A 22 de Feve- reiro de foi jnrado na cidade de Chaul, por herdeiro da corda de Portugal, o principe I. Tcodosio, filho do novo rei D.

So tso encarecida por Jacinto Freire; o one indica nfto haver dela roemdria nessa cidade; pois a havfi-la, impossivel seria que escapassc ao cloqiienbe paneginsta da cidade, em tHo miiida rela ao. Imlilulo Vasto da Gama , 8. Depois de levantar o assedio, D. Joao de Castro escreveu aos vereadores de Goa uina toeante carta pedindo-lhes am emprestimo de 20 mil pardans para reedificar a fortaleza. Joao de Castro nfto aceitou.

Em Abril de 1. Joao de Castro a Goa, onde foi rccebido eomo tun veneedor rotnano com as maiores pom pas de Iriunfo. Eis cotuo se fez a solenidade da recepgfio. Catarina ; e ordenou-se o cortejo triunfal ao sora das salvas e toques de trorabetas, atabales e pandeiros. Antonio do Casal, com o crucifixo que levara na bata- Iha, com um brago desencravado e pendente.

Conroe Anes e o ouvidor geral Antonio Martins. Entrou na igreja de N. Francisco, onde encontrou a comunidade entoando na rua o Benedictus qui renit, e seguiu para a catedral, sendo aqui rece- bido pelo bispo e o clero ao canto do hino Te Deum laudamus. Concluidas as ceieradnias, recolheu-se o governador ao Paqo, e ordenou que, na parte do rauro que se roropera, se crigisse uma capela a S.

Joiio de Castro adormecer sobre os louros conquistados. Teve de cotnbater com Adil-Khau afim de assegurar a tranqiiilidade de Salsete e Bardes ; e partiu de novo para l iu com uma esquadra importante, por llie coDstar que o sul- tfio de Cambaia pensava etn reconquistar aquela pra- qa ; mas, o sultilo, vendo que os nossos estavam prc- venidos, desistiu da emprcsa e D.

Joiio de Castro li- mitou-se a bombardear a costa. Joiio de Castro voltou a sua atenqilo para os negdcios internos, seguindo uma politica que lembra a de lord Cornwallis em Bengala na histdria posterior da India; fixou os salsi- rios dos oficiais civis forccjando por por termo ao sistema de corrupqiio e peculato com que defraudavam, ao mesmo tempo, o tesouro real e os indigenas. Alvaro foi agra- ciado com o pdsto de capitao-mor do mar das Indias. De tudo isto se ve que D. JoAo de Castro era urn vulto nobre, sirapatico e austero ; e se a sua gran- deza moral parece As vezes misturnda coni uma pon- tinlia de ostentayao, era talvez porque o grande herdi e santo entendia que, nuraa epoca em que o vicio reinava desenfreado, tinlia a virtude de ser aparatosa e deslumbrante.

A feiyiio roraana do seu cardcter liavia sido amoldada pelos desenhos de Plutarco, de quem se apaixonara. Triunfou como pagao e morreu conio cristilo, diz algures um escritor. Com a morte de D. Joao de Castro foi reconhecido como governador Garcia do Sa, na con- forraidade da 3. Joao Mascarenhas e Jorge Tello, designados nas primeiras duas patentee.

Pouco tempo depois, o rajs'i de Calicut, o de Tannor e mais alguns reis do Malabar coligaram-se contra os portugueses, e, em um combate que se deu na ilha de Bardela, Francisco da Silva foi tnorto. Mas, Manoel de Souza de Septilveda, o herdi do celebrado poeraa de C6rte-Real, obrigou o rajd de Tannor a uma paz onerosa. Jorge Cabral foi, em pessoa, assolar a costa de Calicut e arrasou Torah, Coulete e Panane, e teria reduzido o Samorim a ul times apuros, se n5o tivesse de entregar o govfirno ao sucessor. Afonso de -Noronha, D. Pedro Mascarenhas e Francisco Barreto. Daqiii vieram as multiplicn- das guerras, que ocuparam todo o govi'rno de D.

Afonso tinha energia suficiente para afrontar esses perigos ; mas, com o exemplo das extorsoes e rapinas que deu, mostrou-se improprio para operar ns reformas, de que vinha incuinbido. Encontraram-se as fustas com cinco galeotas turcas, de que era comandante Safar, valente general do paxA do Egipto, e, depois de um asperrimo combate em que os portugueses pelejaram com a costumada audacia, Luis Figueira foi tnorto e aprisionada a sua fusta. Antuo de Noronha, c, auxiliado com 3 roil soklados pclo rei de Ormuz, e com algumas tropas pelo capitao desta fortaleza, partiu para Katif, bateu a cidade com a sua artelharia e, a liora em que ia dar inn assaito, percebeu quo a guarnigao fngira secrctaraeute.

Toruou, portanto, posse da fortaleza sem ter sofridc quiisi neuliuma perda; quando, porem, tratava de demolir 0 castelo para evitar novos eonfli- tos com os turcos, uma siibita explosao de minas malou-lhe mais de 40 portugueses. Antao de Noronha teria, tambem, expulsado os lurcos de Bassoru, que eram uma constante ameaga para Ormuz: A lvaro de Noro- nha, comandante desta fortaleza, tinha uma forte tro- pa de horoens, gragas a uma nau portuguesa, que arribara a Ormuz.

Antes de partir, propos Epir-bey a 1. Desapontado com esta resposta, Epir-bey saqueou Ormuz e a ilha de Kismis e retirou-se. Entretanto o vioe-rei, que partira de Goa com uma armada do 30 uavios em Socorro de Ormuz, eucon- 96 trando em Diu a noticia de que o cerco jsSi estava le- vantado, uiandou, uma csquadra para cruzar no Golfo Pdrsico e regressou para se ocupar dos negdcios do Malabar. Tal era o castigo com que, nesse pais, se punia tanto a infelicidade como a iru- pericia dos generais. Afonso de Noronha, querendo, entao, toruar maiores preeaugoes para o lado de Ormuz, mandou seu filho D.

Em Agosto de , veiu jogar uova partida mais um capitao turco, por nome Ali-Xebuly, que pro- jectava unir-se a Murad-bey em Bassora ; mas, antes disso, perseguido pelas caravelas de 1. Pedro da Silva, comandante da fortaleza, apareccram, de 97 Singapura e outros portos vizinhos, alguns navios portugueses em socorro. Em 12 de Agosto, os inimigos deram um assalto geral.

Pedro da Silva, que felizmente estava prevenido e tinha disposto sftbre os muros uns mastros enormes, que havia tirado aos navios inserviveis, vendo os irtalaios escalarem de madrugada as mnralhas, esma- gou-os atirando sobre cles essas pesadas traves e por cima sucessivas panelas de polvora. Ao mesmo tempo, os jaus assaltaram a fortaleza doutro lado ; mas nfto sairam impunes. Pedro, avisado a tempo por uma mulher como em Diu, con- seguiu tambem dcsbaratsi-los com graves perdas. Vendo os sultoes o dano que tinham recebido neste assalto, assentararu reduzir Malaca pela fome, que efectivaraente foi crescendo, a ponto de faltarem ab- solutamente os raantirnentos.

Pedro da Silva, nilo tendo outro recurso, langou mao de um estratagema, que por uma fortuna salvou a fortaleza. Pois, enviou alguns navios com ordem de devastar as terras dos reis sitiadores. Os raalaios, em vez de assaltarem neste momento a fortaleza, que, qudsi completamente desguarnecida por essa diversito, teria caitlo nas suas mfios, desistiram do eeroo para acudirem a seus rei- nos. Ficaram em tdrno de Malaca s6 os jaus que obstinadamenie nfio quiseram afastar-se. Mas Oil Fernandes de Carvalho, com permissito do comandan- te, fez uma sortida, it testa de homens, e foi tao feliz, que dispersou os inimigos obrigando-os a em- barcarem.

Assim, ficou Malaca livre do assedio mais terrivel que atd aqui sofrera. Em com a morte de Mahmud, sultilo de Cam- baia, insurgiram-se os mouros de Diu e principiaram negar aos portugueses os rendimentos da alfdndega. H8 Mas, a sublevagSo t'oi reprimida, sendo derrotados e expulsos os moiros por D. Diogo de Almeida, gover- nador da fortaleza, e seu sucessor D. Diogo de No- ronlia. Emquanto estas e outras vitorias de um lado abrilhantaraiii o vice-reinado de D. Afonso de Noro- nha, os outros pontos do nosso dominio eram testemu- nhas do despotismo dos portugueses e das mais vergonliosas depredates praticadas pelo prdprio vice-rei.

Xas Molucas Bernardim de Sousa, comandante da fortaleza, homem violento e obstinado, nfto queria que os reis dessas ilhas tivessem for- Uuerra lias talezas nos seus reinos, porque isso Molucas im porta va, dizia ele, uma prova de desconfianqa contra os portugueses. Por um pretexto desta ordem declarou guerra ao sul- tao de Geilolo e ccrcou-lhe a fortaleza. Os portugueses rasgaram a capitulate e, alein de saquearem a cidade, mataram barbaramente os habitantes. O pobre sultao, n;lo po- deudo suportar a dAr, fugiu para os matos, donde nunca mais sain, protestando assim contra a perfidia e crueldade dos portugueses.

Na illia de Ceilao, Madune, raja de Ceitavaca, estava em guerra aberta com o de Cota, nosso aliado. Durante a menoridade do seu herdeiro, assumiu a regencia seu parente Tribuly-Pandar, que prosseguiu a cam panha. Entretanto jti governava a India D. Afonso de Noronha, que, informado dos factos, julgou ocasiSo oportuna para ccvar a sua cobiga. Partiu com uma esquadra a Ceilao e o pritneiro passo que deu, foi meter a tormento os crcados da casa do raj A falecido para que lhe descobrissem onde era o tesouro dos antigos reis.

Nao podendo conseguir a declara- gao desejada provavelmente porque esse tesouro nSo existia , saqueou o palacio e nao quiz ir auxiliar Tribuly-Pandar contra Madune, sem que lhe prome- tesse pagar, como para as despesas da jornada, mil pardaus de ouro em duas prestagoes. Recebidos logo 80 mil, que foi o que o regente p6de apurar vendendo joias e outros objectos, entrou na guerra e toraou Ceitavaca; mas a presa que fez, incluindo a riqueza de um templo, guardou-a toda para si, nao obstante ter estipulado com o seu aliado dar-lhe me- tade; e, a-pesar-de tudo isso, abandonou-o no resto da campanha, por este lhe nao poder apresentar os 20 mil pardaus, que devia a conta da pri peira presta- gao!

Pouco depois tratou o vice- rei de prender Tribu- ly, para o obrigar a pagar a quantia devida; mas, sabendo que 6ste fugira, prendeu o camareiro-mdr do rei, que so obteve a liberdade mandando a D. Afonso uns 5 mil pardaus a bom custo reunidos, obri- gando-se por um escrito a pagar-lhe o resto por todo aquele ano. Nao satisfeito com estas exacgoes, D. Afonso, ao sair de Ceilao, recomendou ao capitao de Colombo que prendesse Tribuly, logo que o pudesse e o man- dasse para Goa.

E efectivamente, passado algum tempo, Tribuly foi preso, mas fugindo da prisao mo- veu uma funosa guerra aos portugueses, que, afinal, terminou por umareconciliaqao. Duarte de Ega e o seu imediato sucessor. Pois tratando o rei de Cota de continuer a guerra contra Madune, D. Duarte proineteu, e jurou sob re um missal, ir auxilia-lo com 50 portugueses e, por pagamento, recebeu logo mil cruzados. No mo- menta da raarcha exgiu maior paga e sacou mais cruzados, e, em troca, mandou-lhe apenas 20 solda- dos.

E, depois de tudo isso, D. Duarte nao teve o es- crupulo de cartear intimamente com o inimigo e acei- tar-lhe dinheiro; o que tendo sabido o rajYt de Cota, e receando alguma traiyao dos 20 portugueses, desis- tiu da empresa, mandando k pressa recolher as suas tropas! Duarte procedeu aiuda pior, porque recebeu dinheiro e nunca mandou o auxilio jue prometeu.

O raja de Cota, entuo, enojado desta impudente desraoralisaqfto dos seus aliados, com quern nao podia contar para a guerra, preferiu fazer com o seu adversdrio a paz menos onerosa possxvel. O eco destas vergonhas chegou felizmente ao gover- no da metropole, que ordenou ao vice-rei restituir ao rajd de Cota tudo quanto Ihe fora roubado. Durante o governo de p. Francisco Xavier na ilha de Sanchao Afonso de Noronba maudoa fazer do ouro, joias e dinheiro, 3 ne achoa em casa do rei de Ceilao, no pagode etc. Sao tres factos importantes para a histdria indo-portuguesa e que entre si se relacionatn, corao varnos a ver.

Luis de Camoes vein em 1. Bento, tinica da armada do capitilo-mdr Fermlo Al- vares Cabral que chegou a Goa. Aqui, a sua vida foi too tcmpestuosa Canutes cm coino em Portugal. Fernando de Menezes ; sofreu as pro v, agues de um longo cruzeiro junto do Monte Feliz. Em , por ter escrito mua sutira, como adiaute veremos, foi desterrado pelo governador Francisco Barreto para as Molucas, donde partiu para Macau. Nessa ilha exerceu o cargo judicial de Pro- vedor-m6r dos defunctos e ausentes, e escreveu, segun- do diz a tradigao, o setimo canto dos Lustadas , numa grata, que ainda e conhecida pelo nomc de Cruta de Camden.

Da ida para Macau naufragou ' na costa de Cambodja, salvando a nado o seu poema na foz do rio Mecon. Voltando a Goa em , no vice-reina- do de D. Constantino de Braganga, passou pouco tempo sem torturas, gragas a protecgao do vice-rei. Na governagao imediata, porem, foi de novo perse- guido pelos inimigos e esteve preso, Quando em , um Miguel Rodrigues Coutiuho, por alcunba Ft os Secos, a quern- o poeta devia dinheiro, o mandou erabargar na prisfio, Luis de Camoes deveu a liber- dade a um memorial que dirigiu ao vice-rei, conde do Redondo, em quadras satiricas visando o Flos Secos.

Provavelmente para se eximir a novas perseguigoes regressou a Lisboa. IncansAvcl tnissionario portugues, percorreu desde Paris, onde corneqou a sua carreira, at6 Sanchilo, onde fechou os olhos, 53 mil logo as, cliegando a converter a religislo catolica, duni aoutro extremo, 1. A infatigavel e benemcrita Companhia de Jesus introduziu a arte tipogrdfica em Goa. A primeira Arte tipografica em Goa obra que se editou, foram as teses ou Conclusoea Publicas , defendidas no colAgio de S.

Paulo ; depois, foi o catecismo do grande Xavier: No seu tempo Anel-Melek, governador do Con- l J. Noticiou o Gonimbncense, n. Garcia da Orta, pnblicado em Ooa no ano do A Iniprensa cm Goa. Pedro, tanto porque ganhava as terras sent ter de intervir na revolta que ia rebentar contra o soberano, como porque teria em Meale, elevado ao trono, um aiiado seguro, aceitou o partido e acompanhou o principe, com muitas honras e um cortejo de 3 mil soldados, ate it fortaleza de Pondd, que tr6s dias antes fora tomada pelos portu- gueses.

Francisco Barreto, S que seguiua Mascare- nhas pela 1. Fernando Monroy, enviou D. Antao levantava tributes em Kudai, uma f6rga de 7 mil homens veio, por or Jem de Ibraim Adil Khan, opor-lhe resistencia. Empenhou-se uma renhida batalha nas margens do rio de Carl ini, e os mouros foram derrotados com sensiveis perdas ; con- tudo, a vitdria n3o aproveitou aos portugueses ; por- que Adil-Khan, apoiado pelo rei de Vijayanagar, desbaratou o partido de Meale e expediu u.

Meale regressou entao k cidade de Goa, onde ele e seus filhos foram subsidiados pelo Estado at6 falece- rem, ficando por herdeiro dos seus direitos seu neto, J eonvertido ao cristianismo, I. Jotto de Menezes Xd, que se casou eni Portugal e por testa uoento legou ao soberano portugu. Pedro de Menezes o Rnivo, que lhe saiu ao encontro e travou aigumas escaratmqjas com resultado favonivel ; mas foi afinal obrigado a reco- Iher-se n fortaleza deixando as aldeias ii mcrce do inimigo.

Ao mesrno tempo as terras de Bardes foram assal- tadas repetidas vezes por Mu rad- Klian; Joao Peixoto, poreraj protegendo as fronteiras, conseguiu repelir essas agressoes. Eis como urn dos bibgrafos de Camoes narra o facto: Camoes, severo repreen- sor dos vicios, indignado de ver tamanho aviltamqpto e impuddncia, escreveu imia satira, em que ttagelava os que se conspurcaram naquela especie de orgia: Leoni, Camoes c os Ltisiailas, pag.

Vis- condc de Jurotueuha, Obras ile Luis de Canutes , vol. Constantino de Braganqa e seus trcs primeiros sucessores D. Catarina, era am hornena intrcpido, de probidade severe e fidalgo de alta li- nliagem. Den proves do seu grande amor As letras protegondo eficazmente o desgragado Carndes, que ueste governo voltou de Macau para Goa. Entrando na India, 1. Constantino julgou indis- pensavel tomar Damilo para assegurar a defesa das terras de llagaira, constanteinente Tomaila dc insultadas pelas depredates dos namilo gazerates, e foi em pessoa a essa expedigilo com uma esquadra de 50 uavios.

Logo que os portugueses desembarcaram 2 de Fevereiro de , os 4. Contudo, nslo recuou; comegou o ataque e obteve re- sultado satisfatdrio at6 que, ao romper do sol, reu- nida a parte da fOrga que se havia extraviado, deu uma rija batalha e destrogou completamente os nu- merosos inimigos, em cujas fortificagoes encontraram os nossos 36 pegas de artclharia e uma grande porgiio de moedas de cobre.

Ainda bojc a camara municipal de Damiio celebra todos os anos com pom pa a festa da PurificagSo de Nossa Senhora, comemorando a vitdria de D. Para a seguranga da nova praga entendeu l. Cons- tantino ser necesssirio toraar a illia de Balsa r, situada tt pouca distftncia de Damiio, e enviou uma expedigiio comandada pelo capitiio de Bagaim, D. Pedro de Al- meida, e sen irmiio D. Luis; mas o terror, que tinliam espalhado as faganhas praticadas pelos portugueses cm Damiio, fez que si guarnigiio de Balsar, sem ousar esperar o ataque, se rendesse sem nenhuma resistencia.

Diogo de Noronha e conceded muitas franquias aos naturais da terra, para que a viessem povoar e grangear. Os portugue- ses, residentcs em Meliapor, atacados por urn raja vizinho, a-pesar-de iucitados por Pedro de Ataide a manterem a sua dignidade. Constantino, que sabia impor-se ao respeito dos sens suliordinados e da lidalguia corrupta. Paio de Noronha, capitao reecnte- mente nomeado, provocou, com o seu despotismo e orgulho imbecil, as iras do rajd, que Vilotia em logo lhe declarou guerra e comt- fanaiiar you incomodar scriaiuente os portu- gueses.

Este ea- pitfto, audaz e sofrego cotuo era, em vez de esperar em Cananor o inimigo, foi com uma frota correr os mares, arrasou Mangalore e destruiu uma esquadrilha do rajii. Voltando a Ooa, D. Luis de Melo, eaptivo deste procedimento verdadeiramente rcgio, partiu com homens e ba- teu tao heroicamente os numerosos inimigos que cer- cavam a fortaleza, que o raja de Cananor, aterroriza- do, pediu a paz. Era os turcos puzerum cerco k fortaleza da ilha de Bahrein, pertencente ao rei de Ormuz. Um persa por nome Ras-Murad, que a e em Bahrein defendia, pediu socorro a D. An tao de Noronha, governador da nossa cidadela de Ormuz.

Alvaro da Silveira, que vol- tava do Mar lioxo, levou o socorro; mas forgado pelos portugueses indisci pi in ad os a dar batalha ao inituigo muito superior em niimero. Constantino nilo se limitava a defender os inte- rcsses da coroa portuguesa; estendia o seu zelo a reli- giilo crista, fazendo uma especie de guerra santa no oriente ; e foi a ZOlo rclisr. O rei de Jafnapatam, na ilha de Ceilao, opriinia os seus subditos convertidos ao cristiauismo. Para remate da vitdria I. Constantino tomou a ilha de Manar, pertencente ao rei de Jal'na- patam e construiu uela uma fortaleza, cujo comando entregou a Manoel Uodrigues Coutinho.

Esta guerra gloriosa para os portugueses ocasionou uni facto tooldgicarneute importante. Na totnada de Jafnapatam l. Constantino apode- rou-so dum dente, quo era venerado como de Iludha no do respectivo teraplo. Segundo a lenda oriental, 6sse dente, conhecido pelo norne de delada , foi arrancado ao caddver do grande Gautama Budha pelo rei Koima e enviado a Ceilao.

Depois de muitos sdculos de veneragao, a essa reliquia, transportada para Poelalup, comegaram a atribuir-se prodtgios: Por fim, corao os incrd- dulos rejeitassem a veracidade destas maravilhas, puseraxn o dente naraa bigorna, mas, quando se levan- tou o martelo para o esmigalhar, o dente sumiu-se para dentro da bigorna e, dai a pouco, brilhou com extraordinAria claridade dentro duma taga de oiro nas maos de SubhadrA. Tais eram as tradigoes lenda- rias da celebre delada.

Quando se espalhou a noticia de que essa miraculosa reliquia caira em poder dos portugueses, todos os po- vos budistas do oriente disputaram eritre si a posse do famoso dente, e o rei de Pegu chegou a oferecer, pelo resgate deste, mil cruzados prometendo paz perpdtua e a obrigagno de prover de mantimentos a fortaleza de Malaca. Muitos fidalgos, na esperanga de que do resgate do dente algum dinbeiro iria parar nas suas algibeiras, aconselhavam I. Constantino a que vendesse o dente; mas o vice-rei, temendo, dum lado, concorrer para a idolatria e, do outro, desfalcar a Fazenda duma irnpor- tante soma de dinbeiro, consultou o arcebispo, os pre- lados e teologos das ordens religiosas, os quais todos, reunidos em conferdncia e ponderadas todas as circuns- taneias, resolveram que se nao podia entregar aquele Ill dente, porque era dar ocasido a grandes idolatrias , o que nilo era Kcito fazer, embora se previsse que os budistas fabricariam outra reliquia em substituigao da que se llies ia recusar.

Constantino e da sua cdrte. Constantino ficou rauito satisfeito com esse acto, que considerava de suprema abnegagao e desinteresse. Constantino, que os orouistas narram com entusiasmo como a maior proeza obrada por ele na India, os historiadores modernos censuram iicremente come um desacerto ou erro politico, muito deploravel, chamando ao vice-rei e seus conselhei- ros, homens piedosos na oerdadc , mas destituidos de prudi'ncia , porque com isso, dizem eles, a fe nfio iucrou nada, a Fazenda perdeu o dinlieiro com que se podiam remediar as grandes necessidades do Estado, e foratn excitados contra nds os ddios mais acerbos dos indigenas.

Constantinus tali cupuline crcinavit crumenas. Constantino voltou para Portugal com as maos limpas do ouro indiano e confundiu os que o haviam intrigado na c6rte, aousando-o de coneussionario. Foi seu sucessor no governo D. Morreu em Goa a 19 de Fovereiro de , quando a regoncia do reino ja passara de D. Catarina para as ddbeis maos do Cardeal-lnfante. Garcia da Orta, que entao se aclia- va na India carregado de anos e longa experioncia, na frase de Camdes.

Referindo- Inqnisigao e Arcebispado em Goa Aberta a l. Antflo, que tornara A India. AntEO de Noronha, none vice-rei. As Guerra de Cananor tropas de mar, que o vice-rei man- dou em socorro, encontraram-se com alguns corsdrios inimigos, que foram vencidos, mas a vitdria foi bastante disputada. Os indigenas ja nao viarn nos portugueses herois invenciveis ; o terror e o prestigio das suas arraas ia diminuindo A proporqfio que Portugal cxportava para a India especuladores e piratas, avidos de faster for tuna, coin vergonha para o pais e descredito pe- rante o indigena.

Apenas comegado o combate, duas das nossas galds fugiram vergonhosameute. As outras duas, pordm, resgatarara essa vergonha por um rasgo de valentia. A gale comandada por Bento Caldcira de Almeida, incendiada pelo inimigo, deixou-se ir a pique sem querer render-se ; e a de I. Paulo do Li- ma, sosinha era campo, atirou-se com tal auddeia e intrepidez ao seio da esquadra inimiga, que a obrigou a fugir depois duma encarnigada luta imensauiente gloriosa para os portugueses.

Enlretanto o capitao D. Autdnio de Noronha, que f6ra a Cananor com um reforgo de tropas de terra, defendia a cidade herbicamente, ate que, chegando ali Gongalo Pereira Marramaque e Alvaro Pais Souto- Maior, a guerra tornou-se de defensive era ofcnsiva e o inimigo foi completaraente derrotado.

O MISTÉRIO DO SACERDÓCIO CATÓLICO - PADRE PAULO RICARDO, RETIRO PARA SACERDOTES 01

Em Ceilao o roi Madune, provocado pelas prepoten- cias dos nossos, enviou todo o seu exercito sob o co- raando de sea fillio Raju sitiar a for- taleza de Cota. Pe- Ataqnesem dro de Ataide comeqou a defesa com Ceil2o os homens que ali existiam. Oito dias depois Rajii levantou repentinatnente o cer- co e foi de noute atacar a fortaleza de Colombo, espe- rando encontrA-la desprevenida; mas foi repelido. Convencido, corao estava, de que a toraada duraa des- sas fortalezas ira porta va a queda da outra, voltou no- varaente cercar Cota e resolveu reduzi-la pela fome.

Efectivaraente os sitiados chegaram a tais apuros, que D. Pedro de Ataide raandou salgar cadAveres para o sustento da guarniqilo, a-pesar das exortagoes era con- trArio de fr. Felizmente veiu socorro de Colombo e o capitao de Manar, Jorge de Melo, inandando assolar as terras de Madune, con- correu, tarabera, para se levantar o assAdio. Contudo Raju, antes de partir, de'u um assalto geral A fortale- za na sua mAxima forga, mas foi desbaratado e reti- rou-se tendo perdido mais de 2 mil homens.

Em o sultao de AquAm sitiou mais uma vez a cidade de Malaca, que, defendida valentemente por D. Leoniz Pereira, p6de salvar-so. Neste cArco apareceram alguns tra- des a querer auxiliar os nossos pelejando uas muralhas ; D. Leoniz, e em Halaca por Am, vendo a sua impericia para o exercicio das ar- mas, obrigou-os -a ir para o templo auxiliA-lo com suas oracSes.

Em Janeiro de D. Antiio de Noronha foi em pessoa com uma expedigao a Mangalore e, depois de ter expulso da cidade os nativos, que a defendiam, fundou ali uma fortaleza, como se fossem poucas as que Portugal possula na India ; mas nfto teve forga nos seus soldados, que assombravam a povoagao com as suas licenciosas devassidoes. Nas Molucas carapeava deseufreada a imoralidade e o despotismo dos portugueses. Em Ternate o ca- pitilo Diogo Lopes de Mesquita chamou traigoeira- mente h fortaleza o sultilo Aeyro e o mandou matar a punhaladas; era Coron os portugueses, depois de se aliarem com os uaturais para destruir um exercito iuimigo, conciliaram contra si o odio dos aliados pelo seu infame procedimento com as mulheres destes.

E nenhum destes excessos foi punido pelo vice-rei, que passava o seu tempo em Goa palestrando com os pa- dres da Companhia. Antao, executaudo as ordens superiores, come- gou a construir a muralha na margern oriental da ilha de Goa, para a defender de quaisquer agressoes, outrora tao freqiientes, do lado do continente. Go- vernou atd 10 de Setembro de ; e a muralha foi continuada pelos sucessores.

Luts de Ataide e seus triunfos. Desastres posteriores Um dos primeiros actos del-rei D. Sebastiao, de- iois de sair da tutela, foi a nomeagSo de D. Luis de Ataide resplan- dece, pois, no ocaso do dominio portuguos, como o de Afonso de Albuquerque no sen alvorecer. Apenas chegado ao oriente, I. Luis, que em ta- lentos militares mlo era inuito inferior ao grande Afonso de Albuquerque, tratou de estabelecer uma disciplina severa e, organizando com grandes sacrifi- cios alguuias esquadras, enviou-as para proteger o nosso comercio contra os corsarios e reprimir as fre- qiientes sable values dos indigenas, triunfando bri- lhantemente de todas as diiiculdades, em que andava enredado o dominio portuguos, devido a indolente administrate de 1.

Antao de Noronha e seus dois antecessores. Afonso Pereira de Lacerda partiu para o nortc com seis navios e uma gald; e bastou a sua a pari to para sufocar os projcctos revoltosos que havia em Baticald. Jorge de Menezes Baroche foi com urn catur c duns gales acomcter o temivel corsario Kanatale, que, depois de lutar euergicamente, e tendo perdido as asperaujas de veneer os portuguesea, nslo quis sobre viver a derrota e com uin heroismo selvagem degolou um sen Klho e, damlo em si tres pnnbaladas, atirou-se ao mar.

O Saui o rim, jue nos incomodava com os seus cor- stirios, foi atacado violentamente por uma esquadra cotrandada por D. Diogo de Menezes, que Hie des- truiu a cidade de Mellascharam, onde os corsi'irios sc abrigavam. Martim Afonso de Miranda foi mandado com 20 navios vigiar o defender as costas do Malabar ; e Aires Teles de Menezes foi cucarrcgado de reprimir 8 as deniasias dos tanadares era Bandd, seis 14guas dis- taote de Goa.

Luis de lierdicas Ataide, cujas brilliantes qualidades militares haviam intiuido poderosa- mente nos costumes dos scus capit3. Km Mem Lopes Carrasco, que navegava com uina nau nos mares de Malaca, achou-se de repente no meio dumn formidavel esquadra do sultao de Aquurn, composta de 20 j uncos, 20 gales e lan- charas. Sequioso de se vingar da derrota que D. Leoniz Pereira llie infligira em Malaca, o sultao cer- cou imediatamentc a uau portuguesa com o propdsito de nuo poupar nenhum dos tripulantes, se lhe ousas- sem resistir.

Mem Lopes nao se assustou: A batalha travou-se renliida e medonha.

Literatura | linawycatuzy.gq

Kecomegada a luta ao romper do dia, tres galds, debaixo duma chuva de balas, conseguiram abordar a nau. Mem Lopes Carrasco, no meio do horroroso estrondo da peleja, acudindo a toda a parte, cobcrto de sangue e de polvora, e sem se a- 10 lialar pels perda do lillio. Nesse mesmo ano, a cidade de Pa m;lo era inquieta- da pelos mogois fortiticados em Parnel. Nuno Vellio Pereira, comandante diuna esquadra que cruzava na- juela costa, desembarcou, a pedido do governador da cidade com liomeus e investiu o forte de Parnel, que, alem de ter os baluartes assentes em rocha viva, era naturalmente muito defenssivel: Nao desanitnou contudo ; voltou ao assalto com forgas do- bradas e assentou em pontos betn escolhidos pegas de artelharia.

  • Full text of "Historia De Goa Vol. 1".
  • ?
  • .

Francisco Mascarenhas com homens, intimou a cidade a render-se. Qui- seram os habitantes resistir: Luis desembarcou entdo com soldados e investiu a fortaleza pelo lado do sul, ao mesmo tempo que I. Em seguida langou fogo A. Luis desembarcou com um corpo unido de tropas e, avangando imediatamente para o forte, conseguiu toma-lo. Os defensores desampara- ram logo a cidadela, que D. Luis mandou demolir e reconstruir no local onde estava o forte, percebendo, pelo seu tacto militar, que era esta a melhor posigao para a defesa da cidade. Os aconteciraentos nao o desmentiram ; pois, dai a tempos, querendo uns rajas vizinhos expulsar de Barcelor os portugueses, foram violentamente repelidos pelos homens que guar- neciatn o forte.

Estas conquistas honram incontestivelmente o ge- neral ; mas, nao abonam muito a inteligcncia politica do vice-rei ; porqtie o dominio portugues, que jsi se sentia opritnido pelo pr. Entretanto uma horrivel terapestade veiu pairar s6bre a India e tc-la hia subvertido, se nllo estivesse it testa do governo um general insigue, como o era D.

Joao da Nova, almirante da segunda armada, fun- dou em boa paz a feitoria de Cananor e descobriu as ilhas de Ascenqao e de S. Em Vasco da Gama chegou pela 2. Como a resposta do Samorim f6sse nega- tiva, bombardeou novamento Calicut e Ihe destruiu? Enterifieu que sd assim podia assentar nestas regioes a preponderance de Portugal e esmagar o orgulho dos irouros. Em vieram para a India tres armadas coman- dadas peloscapitfles Francisco de Albuquerque, Afonso de Albuquerque, o futiiro berdi da India, e Antdnio de Saldanha ; cada armada era composta de tres ndus.

Francisco 4 por fr. Fernando da Soledade, vol. Afonso de Albuquerque estabeleceu uma feitoria ecu Coulao hoje Quilou , que foi a terceira no oriente, nfio contando com a de Calicut, que durou um s6 dia. Foi a primeira fortaleza que Portugal possuiu nestas parageus 2. Depois da partida de Francisco e Afonso de Albu- querque a guerra acenden-se de novo 0 Samorim enviou contra o rajd. De facto, o comdrcio, a conquista e a propagagao da religiao crista constituiram o grandioso piano que Portugal pds em execugao no oriente. Os mercadores europeus estavam livres dos vexames que sofriam dos mogulmanos no Egipto e na Siria e do monopdlio dos venezianos.

Manoel, e, em , determinow estabelecer na India um seu represen- tante, que governasse de perto todos os portugueses, combateutes ou nSo combatentes, que andassem por estas longes terras; e para esse elevado cargo nomeou D. Como, entretanto, tivesse recebido embaixa- dores do reide Onor e propostas de amizade de outros ' A ilha de Angediva fica sitnada ao sul de Goa, na latit. Figure no roteiro da primeira viagern de Vasco da Gama 4 India.

Daqtii na- vegou para Oananor, ondc, obtkla a permiss'io do so- berano, construiu uma fortaleza e, a 22 de outubro, assumiu o titulo de vice-rei. No emtanto os niugulmanos de Dabui, aproveitan- do a ausencia do vice-rei, cercaram Fortaleza em e bateram a furtaleza de Angediva, Angediva cnjos defensnrcs lutaratn heroica- mente por rauitos dias. Em 18 de inarqo de 1. Francis- co, porAm que era urn insigne almirante, ordenou tiio hAbeis e audaciosas manobras, que surpreendeu 35 essa grossa coluna de navios no meio do seu raovi- mento e varejon-a com a artilharia.

Esta estrondosa vitdria, ganha por I. Francisco, on, segundo ontros, isoladamente por D. Loureuqo, espalhou terror por todo o llindosttlo e adquiiriu para os portugueses a famade invenciveis. K, pouco depois de voltar desta arriscada em prusa, foi morto na barra de Chaiil, combatendo contra a forraidAvel esquadra de Mir Hussein, enviada pelo Sultlo do Egito e auxiliada pela de Melik-yaz, senlior de Diu, os quais, devora- dos pelo chime comercial, haviam jurado expulsar da India os portugueses.

Francisco re- cuson entregar-lhe o poder, em quanto nao vingasse a morte de seu lilho, pots quern n frangdo comeu, dizia ele, referindo-se a morte de D. Lourenjo, hade comer o galo ou pagd-Io] e, partindo com toda a armada do Estado para curaprir este desejo, reduziu a opulenta e populosa cidade de Dabul a uin raontao de ruinas e cinzas, e destroqou totalinente as armadas cotnbinadas de Mir- Hussein, de Melik-yaz e do Samorim de Ca- licut, que encontron no pOrto de Diu 2 de r eve- reiro de Mas, ainda depois desta vitdria, com que esraagou os seus inimigos, insistiu em con- servar o governo da India, que, alias, Ihe era pesado, e ate mandou o seu sucessor preso para a fortaleza de Cananor!

Foi preciso que, em outubro do referido ano, che- 36 gasse de Lisboa a Oochitn D. Dura lado, tres capitaes, que, coin seus navios, ha- viam fugido de Afonso de Albuquerque na carnpanha de Ormuz, receosos do seu genio severo, instigavam o vice-rei, iraerso na dor pela perda do fillio querido, a que lhe nao entregasse o goveruo ; e, doutro lado, os apaniguados de Albuquerque insistiam com Aste para que o reclamasse. Fran- cisco, vulto, alids, cavalheiroso e sinipdtico, que sein- pre dera provas da aobreza dos seus sentimentos e da elevagao do seu espirito.

Francisco goveruou quatro anos com fina tslctica e sem outro pensamento politico que Politics o de adquirir e sustentar o exclusivo eomercial do comercio raaritirao, para onde dirigiu todo o seu esforgo. Persua- dido coino estava de que era bastante dorainar o mar para ter sujeita a terra, liraitou a sua ambigao a edi- ficar feitorias no litoral para a comodidade das carre- gaqfies e nao quis conquistas nera pragas fortes na India, a ponto de mandar urn dia desfazer por indtil a fortaleza de Angediva.

De regresso ao reino raorreu no Cabo de Boa Es- S eranga, vitim a de azagaias dos lmgros, a 1 de marqo e , tendo de idade 60 anos. Afoi SO de Albuquerque 1. Francisco de Almeida nos tins de outubro de 1 Apartnndo-se da liulia da politica seguida pelo seu antecessor. Afonso de Albuquerque conccbeu. A instantes pedidos do marechal D. Fernando, que, confiado na sua bravura, pouco caso iizera dos pru- dentes avisos do Albuquerque.

Afonso de Albuquerque, tendo saido de Cochim com unia esquadra de 23 vdlas, tri- puladas por soldados, ia cami- nho de Ormuz para a conquistar, quando, cbegado a barra de Onor, recebeu a visitadum hindu, pornorae Timoja, sobera- no deste territorio, inimigo dos monros e amigo dedi- cado dos portugueses. Albuquerque, que procurava na costa do Malabar um ponto central pars a capital do iraperio planeado, e j 4 tinha lanjado suas vistas para a cidade do Goa, iuduzido pelos eonselhos de Timoja, que se compro- metia a ajuda-lo na empresa com suas tropas, facil- mente resolveu tomar esta cidade.

O governo maometano, opressivo e tiranico cotno era, tinha-se feito odioso aos habitantes: Antdnio de Noronha, seu sobrinho, tendo desem- barcado com alguraa gente, atacou e tomou o castelo de Pangim hoje palAcio do governo , desbaratando oa defensores, que lhe opuserarn fraca resisteneia. Albuquerque, feito, quasi pacificamente, senhor da sua ambicionada capital, tratou os habitantes cora a mAxiraa moderagao e clemencia, e, por meio dum pre- gSo, langado em lingua vernsicula, garantin-lhes a com- J leta seguranga pessoal e da propriedade, dos sens ireitos e privileges, prometendo justiga e protecgao igual para todos os que, dai para o diante, fossem sdbditos de rei de Portugal.

As provincias de Salsete e BardSs entregaram-se, tambdm pacificamente, a Albuquerque, que as arren- dou a Timqja, obrigaudo-se ciste a pag. Emquanto Albuquerque estava, por ostes meios, conciliando o povo e lirmaDdo a sua autoridade em Goa, Adil-Shdli reuniu uma esmagadora forga de 60, homens e, ajudado secretamente pclos rnugul- manos da localidade, que, arrependidos da sua preci- pitada eutrega, suspiravam pela antiga dominagiio, vein cercar a cidade, tres meses depois de tomada pe- Ios portugueses. Ap6s urra curta e improficua resisteneia, Albu- querque viu-se obrigado a abandonar a sua preciosa acquisigao e recol!

Como o tempo proceloso inlo consentia a frota largar o porto, resolveu Albuquerque perma never ancorado, durante o inverno, del'ronte da fortaleza de Pangim, onde os portugueses tiveram de sofrer terriveis privagoes e extrema roiseria por falta tie provisoes, ehegnndo a comer ratos e couio, como os antigos romanos encer- rados no Oapitdlio, Contudo, Albuquerque nao perdeu a eoragein e.

Na sua viagem rece- beu um inesperado reforvo, vindo de Portugal em 10 navios, e a agradsivel noticia. Em oonseqiieneia disto, partiu para Cauanor c, feitos os preparativos necessdrios, com uma grande armada de 28 navios, tripulada por 1. Recebido o sen projecto com grande aplanso e eu- tusiasrao, ainda por aqueles que a principio the eram adversos, Albuquerque deu as instrufoes precisas para um bem planeado ataque a cidade, e, a 24 de noverabro, a frota, entrando no porto de Goa com as bandeiras desfraldadas e a toque de trotu betas, fun- deou imponente defrotite do vale de Banguinim.

Era bem escolhido o memento para o assalto. A defeza da cidade liavia sido conliada ao seu governador Rasul- Khan, quo tinlia debaixo de si a torqa de 4, solda- dos na cidade e mais 4, nos arrabaldes. No dia 25 de novembro segunda-feira, dia de S. Apds um porliado combate, subiratn alguns as muralbas e plantaram sobre elas a bandeira das quinas.

Afonso de Albuquerque assistiu ao casamento dutnit lilha do l'aja de Garsopa com Timoja. A India cut 42 abrir a porta com valentes esforgos, penetraram na cidade no meio de vibrantes gritos levantados era honra de S. Dentro da cidade a batalha foi sangrenta.

Os mu- gulmanos investiram com valor e desespDro ; os por- tugueses guerrearam com redobrado vigor e, a custa de sangue e heroismos, venceram. Os vencedores perderam apenas 40 ho- mens, ficando feridos. Afonso de Albuquerque, que estava postado com a sua coluna no monte vizinho a dirigir o combate, logo que o fidalgo Antao Nogueira Ihe foi dizer: Domingos de Sousa entoou solenemente a sua oraffdo Te Deurn.

Era seguida, Albuquerque abraqou comovido os seus capi tiles, louvou-os. Fo- ram mortos mais de 6 mil, sem diferenga do sexo oem da idade! Ao depois, deu-se ao cuidado de reparar e aumen- tar as fortificaqoes ; embelezou a cidade com a erec- qao de vdrios edificios; levantou uma capela em honra de S. Sus- eitaratr-se logo competdncias e inelindres; motive porque o glo- rioso heroi mandou gravar apeuas estas aigniticativas paluvras. Enquantn, por6m, Albuquerque expugnava Malaca, a ilba de Goa se contorcia numa crise assustadora. A sua expediqilo para a costa ocidental nao foi tflo feliz.

Ksta fortaleza dnrou ate A iutriga, que trabalhava na corte, havia con- snrnado a sua obra. Foratn os primeiros sintomas que se manifestaram da nossa decadencia. Entretanto a armada do Egipto, que fora derrotada no tempo de D. Francisco de Almeida, e que, com a morte de Albuquerque, ganlidra forgas e atrevimento, artelhada com mais de canhoes, saiu de Suez, sob o comando de Bas-Suleiman, para atacar as pos- sesses portuguesas. Lopo Soares, em fevereiro de fi, foi em pessoa procurd-la no Mar Vermelho, e, por tal forma a perseguiu e aperton, que, nao podendo destruil-a.

Na ausencia do governador, porem, deu-se em Goa um episodic vergonhoso. Guterres, nao podendo couseguir a entrega do hotniziado. Tndignado por esta traigao. Guterres, para vingar a 0 Cargo naqnela epoea inaportante c imediato ao do goverua- dor on vice-rei. Adil-Shah, sabendc o caso, vein cerear Goa com nuine- rosas formas muqulmanas, espalhou anguslia e terror, e ter-se-ia apossado da cidade, se nfio llie tivesse acndido, vindo de Ormuz, D.

Aleixo de Xlenezes, que fez levantar o cerco e a reputable das armas portu- guesas. Durante o govC-mo de Diogo Lopes de Sequeira , que sucedeu a Lopo Soares em Dezembro de , travaram os portngueses relates amigaveis com a Abissinia e Fortaleza em com as Mulucas: Manoel, fnndava era cora- pensapilo uraa outra era Chaul.

Continnavara assira os portngueses a ampliar as raiasdo seu imperio, sera calendar os inconvenientes de se espalharem as tropas, para snstentar estabeleci- raentos t. E esses inconveuientes apa- receratn logo. A Fortaleza de Conlito foi sitiada pelos indigenas sublevados, e o governo de loa, pedidopara socorrer, nao pode enviar-llie senao uni refor- Assalto As go de 25 liomens para coadjnvar fortalezas 0R 3 q Ue se achavam era defesa daquela prapa!

Caso igual repetiu-se era Ceilfio. Vinte mil habi- tant. Rui dc Melo agradeceu-llie o favor e. Sob o pretexto de que eram roubadas as rcndas desse Estado tributario, os portiigueses, sogundo a determinagao do rei I. Scguudo Joao dc Ltarros, Dee. Xarafo era ini- migo figadal dos portugueses, porque desejava read- quirir e exercer, era noinc do rei o poderio que Afon- so de Albuquerque llic havia tirado e os portugueses Ihe niio consentiam. A esse tempo comegara a goveruar a India D. Dnarte d8 l 01 8Z0S — 24 , cuja admiuistragao foi lima ram- pa de vergonha, por unde foi rolando o uosso imperio.

Duarte, avisado da ocorrencia de Ormuz, mandou logo seu irmfio, l. Luis de Menezcs, com uma. Luis de Menezes, segundo o espirito pouco es- crupuloso do seculo, tratou de estabelecer inteligen- cias secretas com o rei de Ormuz para se desfazer de Xarafo pelo assassinio. Xarafo presentiu a combina- gfto e antecipou-se. Luis para a India, os portugueses que estavam em Ormuz, para se verem livres de Xarafo, que cootinuava a embaragar a conclusao das negociagoes, julgaram iudispensavel mata-lo, e um homem, chamado Rais Xemesim, se encarregou de por em execugao este projecto; Xarafo escondeu-se longe da ilha, ate que, seudo descoberto, foi preso e ficou esperando a deteruiinagao do governador, quo, breve, chegaria a Ormuz.

Apenas se realizou a prisfio deste cmnipotente miuistro, o novo rei da cidade, que ralia urn faDtasma, apressou-se a fazer as pazes. Em h evereiro de , chegou D. Duarte encoutrara algum repasto na grande riqucza de Xarafo. Luis de Menezes, um dia, langou em rosto ao irmao esse seu igndbil pocedi- rnento, dizendo ser indigno dum representante da pessoa real andar fazeodo oficio de pirata. Duar- te accitou a repreensiio, mas niio se corrigiu. Entretanto, um capituo maudado por Adil-Xa vciu pela parte de Ponda, com mais de 5 mil ho- meus, atacar as tauadarias, que Ruy de Melo admiuistrava e, por dois dias, cercou o tauadar-mdr Fernao Perda das tanadarias Anes do Souto-Maior num ternplo de Mardol em Verna de Salsete , que tinlia a forma duma fortaleza.

Fernao Anes, apenas livre do cer- co pela presenga do socorro levado por Antonio Cor- reia, travou um ligeiro combate, em que os mouros perderam mais gente do que os nossos, mas levaram as tanadarias; pois, o governador nfio tratou de recu- pera-las, pelo pretexto de nao quebrar as pazes que tinhamos com o Adil-Xa. A fortaleza foi edificada em paz, sendo a undeci- raa que tiveram os portugueses na Asia.

Coustruida essa nova l'ortaleza, eliegou a vez de se perder uma das velhas no extremo oriente, a de Pacera, na ilha de Sumatra. Seu cuniiado Aires Coellio, alcaide-mor da fortaleza, ambicionava-llie o logar e i'azia dele um instrumento do seu piano. Felizmente os soldados valiam mais do que o coinandante, e defenderam a forta leza valen- temente nao so das agressoes dos indigenas, mas, e principalmente, das do sultao de Aquem, inimigo irrequicto do nosso estabelecimento de Pacem. Mas, a final, naseeram iais dissensoes entre o comandante c seu cuniiado, que os. No tneio destes vergonhosos episddios nao deixa- va de fulgir de vez em quando um relaxnpago de he- roicidade.

A cidade de Malaca tinha por acdrrimo inimigo o sultao de Bintam, quo, no primeiro ano do governo de D. Duarte, havia alcanqado uma vitdria contra os por- tugueses no rio de Muar. Auimados com esta derro- ta dos nossos, os outros regulos da costa n3o duvida- ram hostilizar-nos, eo sultflo de Pam, que, ate ai, pro- curara a uossa alianqa, teve a ousadia de mandat assassinar todos os portuguescs quo iam comerciar ao seu reino.

Sancho, embora recebido com mos- tras de amizade, percebeu logo que era traido. Os inimigos, a custa de graves pcrdas, conscguiram matar a maior parte dos nossos. Sancho nao pensou, urn memento so, cm reuder-se; pelo contrdrio, reunin- do ainda os 13 homens que Ihe restavam, continuou o combate com ardor e sein treguas, ate que, caindo ostes valeutes portugueses um a urn, inorreu afinal o prdprio D. Hsta vitdriu custou aos inalaios a perda de algumas erobaroayoes c de tnais de homens.

Contudo, a cidade de Malaca continuou a ser opri- inida. Pois, o sultilo de Bintam, confortado com as vitdrias, veiu p6r cerco a essa cidade reduzindo-a ao extrerno npcrto. Restabeleceu-se, porem, a fortima portuguesa, quando cliegou o socorro da India, co- inandadu por Martim Afonso de Souza, capitito va- lente, que infligiu um castigo cruet a Bintam, Pam e Panane. Duarte fecha a sdrie dos governado- res da India, nomeados por D. E essa frase hiperbdlica bastou naqnele momento para dissipar os sustos dos tripulantes. Chegado a Chatil, entregou a capitania da forta- leza, a Cristdvao de Sousa, que nela vinha provido da metrdpole, ordenando-lhe que nao reconhecesse como governador a D.

Duarte de Menezes, se apa- recesse ali de volta de Ormuz, onde entao se achava. Em Goa deu posse da capitania a D. Ainda em Goa Vasco da Gama mandou agoutar tres mulheres que tinham vindo de Portugal escon- didas na sua frota contra as suas ordens ; e, nao obstante os einpenhos respeitdveis que se interpuse- rain para obter o perdao, a sentenqa foi executada ; porquc Gama entendia que, vindo ele para coibir os abusos, nao podia comegar por perdoar. Mais tar- de, porem, reconheceu talvez que a sua severidade fora demasiada e bora da morte legou mil reis a cada uma das agoutadas.

Em Cochim ordenou que D. Substituiu o governador de Ceilao e intimou-o para vir a Cochim dar contas da eoncussao de que era acusado. Fez restituir aos armazens reais a nossa artilharia, que liavia chegado ao mercado para ser vendida aos mouros. E, en- quanto fazia preparativos para uma guerra geral con- tra os corsarios do Malabar, quando o rigor da sua administraguo prenunciava a volta dos saudosos tem- pos de Albuquerque, salteado duma doenga faleceu em Cochim com pouco mais de 3 meses de governo, a 25 de Dezembro de , ano em que, segundo a opiuiilo mais prbvavel, uasceu em Lisboa Luis de Catndes para cantar nos seus Lusiadas os sublimes feitos desse heroi, que, 27 anos antes, descobrira o caminho maritimo para a India.

Henrique de WJene- trasladados da igreja da Vidigueiru para a dos Jeronimos, dc Belero, a 9 dc maio ultimo, corrigindo-sc assirn o lamentavel engano havido em cgual trasladagOo feita no ano do Serrano, professor da escola mcdico-cirurgica de Lisboa, media com um compasso de espessura o craneo que se acfoa muito bem conservado e naostta ter de dhimetro longitudinal maximo 21 centimetros, — de diametro transversal maximo 15 centimetres — circunferencia i, o que corresponde a index cefalico de 71 con- tilIletros.

Fran- cisco dc Assis, dentro de um cofrc dc ferro feebado por 3 chaves. Em caso de morte do vice-rei ou governador o cofre era conduzi- do solenemcnte pelas principals autoridades a Catedral, onde se abriam as cartas sucessivamente ate quo o nomeado para suceder fdsse o que estivesse na India. Na falta das vias de sucessao procedia-sc de diferentes modos: Educado na escola da severidade, D. Henrique, a-pesar de con tar apenas 29 anos, colocou-se altura do vellio Gama, como era necessArio para nao deixar reagir com maior forja a hidra das paixoes, que, du- rante a curta administragfto anterior, havia sido eu6r- gicamente comprimida.

Querendo arredar-se do pro- cedimento culpado dos seus predecessores caia por vezes no excesso contrdrio. Ejfectivamente foi ura homem intrepido e desinte- ressado. No intiiito de repritnir essa turba de piratas, D.

Joao de Limae a reduziu a extremos apuros. Havia no exercito inimigo um renegado siciliano, mestre na arte dos assAdios, que inventava diversos T Barros Dec. Entretanto aos sitiados faleciam provisoes ; e os auxilios que, nao obstante o rigor do inverno, iam de Cochim mandados por D, Henrique, e de Cananor trazidos pelo capitao Heitor da Silveira, nao conse- guiam introduzir-se na fortaleza senao em pequena porgio e k custa de muito sangue derramado. Joao de Lima das emboscadas e dos pianos secretos dos inimigos por utn meio de eomunicagao que havia con- vencionado ; e uni grumete por nome Bastido, que cantava em torno da muralha denunciando os segre- dos do ass6dio e ate as minas que os mouros come- fassem a abrir.

Ap6s a morte de D. Henrique de Menezes a 2. Simao de Menezes pos em liberdade Pero Mascarenhas e reconheceu-o solbne- mente como governador, porque Lopo Vds ndo lhe aprescntava o alvard que dizia ter vindo de Portugal nomeando-o governador era prejuizo de Mascare- nhas. E de facto, se Pero Masca- rennas tivesse recorrido ft violencia ou pelo menos tivesse reclaraado a autoridade com energia e firmeza, teria conseguido o apoio de um grande numero de fidalgos hesitantes e teria vencido ; mas o herdi de Bintaro receou provocar uma guerra civil e prejudi- cou h, sua pnipria causa.

Em Goa tal era a exaltagSo de dnimos contra Lopo Vds, que rebentou uma conspiragdo, que oste conseguiu domar por meio de ameacjas e violoncias. Reuniram-se em Cochim os doze juizes nomeados 63 e, a-pesar da justiqa incontroversa da causa de Pero Mascarenhas, houve divergoncia ; votaram seis a favor doste e os outros seis a favor de Lopo Vas. Segundo estava previsto, foi chamado urn decimo terceiro, Baltazar da Silva, ura dos capitaes das naus do reino ; e cste, provavelmente por insinuates de Afonso Mexia, desenipatou a favor de Lopo Vas.

Es- tava consumada a iniquidade. Mascarenhas, vencido, partiu para a metrdpole e a relagao de Lisboa anulou imediatamente a sentenga do tribunal de Oochim, condenando Lopo Vas a pagar a Mascarenlias os ordenados de governador e dez mil cruzados de imlenisagiio. Lopo Vas foi um governador activo e cuergico. Prosseguiu a guerra com os rajas de Calicut e de Cambaia, e queimou-lhes os paraos onde quer que os cnconlrasse.

Era , ultimo auo do seu governo, tomou e iuccndiou a cidade de Porka, situada a 12 lcguas de Jochim. Ueparou e ampliou as fortalezas e, activando as construqoes navais, deixou aos sucessores uma boa esquadra, a par do tristissimo exemplo que ihes legara no seu procedimento com Pero Mascare- nhas. Parecia uma expediqSo mercenaria composta de mouros. Nodia 22 de Fevereiro de surgiu Nuno da Cunha em frente de Diu ; esperava que a vista da sua formidAvel esquadra moveria o governador da cidade a render-se ; mas ficou desapontado, quando viu a cidade em uma respeitAvel atitude de defeza.

Este titulo, junto a desig- nagfto da sua nacionalidade, substituiu o nome pr6- 66 pe- Tomada dr Bacaim prio de Mustafa, o Rumi-Khan foi transformado los nossos cronistas em Rumecao. Nuno da Cunha porem viogou-se. Diogo Botelho Pereira celebrizou-se entSo pela sua inaudita temeridade de partir, em uma pequena fusta, da India para Portugal levando esta boa nova a el-rei Construcfio da fortaleza de Bin Bayaim e das I em Tendo falecido em Ismail Adil-Khan, levanta- ram-se questfies de sucessdo entre os seus dois fi- lhos: Algnns anfcores dizom qnc e Meale Mallu mais novo e legitimo.

Assad -Khan, Acedecao utn digniturio da corte de Uijapur correspondeDte ao nosso condestavel, senlior de Belgao ede muitas terras ricas, favorecia o prmeipe Meale e o seouudava nas suas pretengoes ao trono ; pelo que, sendo perseguido como chefe do partido revoltoso, veiu acolher-se a soinbra dos portugueses c, para obter a sua protegiio, ofereceu-lhes as terras tie Salsete e Bardes, que llie pertenciain por doagfio do rei falecido. Jofio Pereira e, para lirmar a sua posse, maudou construit unm tranqueira forte ein torno do tcmplo de Mardol em Salsete ' , e cuja capitania den a Oristbvao de Figueiredo, tanadar- mdr de Goa.

Term insulas as disedrdias outre os prineipes indios, Assad -Khan foi obrigado pelo sen soberano a reaver as terras cedidas aos portugueses, mas o capitao de Goa iusistiu em eouserval-as. Daqui veio uma serie de escaramugas. Acudiu com socorro CristovSo de Figueiredo e, ap6s uma luta muito arriscada, porque andavam baralhados ambos os conteudores, conseguiu desprender os portugueses e recolhe-los na tranqueira, que os mouros pouco depois ccrcaram.

Deu-se pois urn combate nesse campo ein 7 de Fevereiro de , era que os mouros forarn derrotados e Suleimao saiu ferido. Para completar a vitdria, urn tanadar mouro, que pc- lejdra valentemente pela uossa parte, aceso em furor guerreiro foi com alguns eseravos e peoes no encalyo dos inimigos e, colhendo-os a tres lcguas de distancia, junto ao rio de Cuncolim, inatou-lhes muitos, alem dutn grande numero que se afogou ao atravessar o rio.

A esse tempo Nuno da Cunha, regressaudo de Diu, tratou de prover de forga e in undoes a fortaleza de liachol, porque receava que o inimigo voltasse. Efectivaraente urna poderosa forga de 15, ho- mens enviada de Ponda. Vendo entilo os mouros que era de necessidade to- lher a eutrada aos socorros que y inham de Agaqaim, mandaram uma parte das suas tropas para levantar 6n uma tranqueira s6bre um peuedo que se via do rio de Borim e vedar com a artelharia a passagera; mas, isto nsio Ihes den o resultado que esperavam, porque os bateis portugueses escapavam de noite ao fogo da ar- telharia.

Atravessaram entao o rio com cadeias de fer- ro presas em grossas traves. Afinal Nuno da Gunha enviou o capitito de Goa D. Gongalo Coutinho para expulsar o inimigo de Boritn; mas, vitima d'e traifslo, I. Nuno da Cunha desejava viugar Gste desastre; mas as lutas tnais serias que lhe cliamavam a atenqslo em outra parte, o compeliram a satisfazer as exigencias de Assad-Khan. Uma das guerras niais importantes que preocupa- vam o governador, era a que fervia entre o Samorim de Calicut e o nosso aliado, o raja de Cochim.

Nuno da Cunha achava nao dever coixtiuuar esta guerra para ndo distrair uma parte das suas tropas, que lhe eratr mais neccssarias cm Diu, onde a atmos- 70 fera comegara a turvar-se. Mas, Martim Afonso, quo estava ancioso por terminar a luta, lembrou-se de simplificar o problems. O raji de Calicut, vendo o seu projecto frustrado, quis ir vingar-se do rajd de Crauganor, que entrara na amizade dos portugueses; Martim Afonso porem com 90 soldados, iofligiudo-lhe uma derrota na passagem, obrigou-o a retroceder e calar-se.

Bahadur, que era um hometn ver- sdtil e caprichoso dc indole, a ponto de nunca ter um pensamento fixo, logo que se viu lirre dos mogois e pdde respirar, arrependeu-se das concessoes feitas aos portugueses, e, pelo pretexto de que estes praticavam freqhentes desordens em Diu, convidou todos os sobe- ranos do Malabar a expulsd-los da Iudia, ousando, em um momento de embriagues, revelar, entre ameagas sinistras, cate seu piano de exterminio ao prdprio capitfio da fortaleza de Diu, Manoel de Souza. Bahadur- xi Bahadur, que a este tempo audava k caqa, sabeudo da chegada do governador, obsequiou-o com os despojos da cagada, que consistiam em veados e gazelas, uns sem cabegas, outros sem p6s, to- dos mutilados — o que era considerado entre os mouros um desafio — e pouco depois foi com a sua comitiva e contra a opiniao dos seus amigos visitd-lo ao galedo.

Esta visita tinha por nm, segundo diz um escritor inaometano, dcsvanecer as suspeitas dos europeus e induzi-los a aceitar o convite para o banquets prqjec- tado. Terminada rapidamente a entrevista, que foi quasi muda, Bahadur, suspeitando talvez que os seus pianos secretos fossero conhecidos do governador, e receando ser atacaao, apressou-se a retirar saltando para a sua fusta. Nuno da Cunha, que ainda tinha escrdpulo de o mandar prender por ter vindo em hdbito de paz, deu ordens aos seus para o acotnpanharem, concor iando finaimente, segundo se escreve, em que c condtizissem preso para a fortaleza.

Eis o resumo do que se passou em Din a 14 de Fevereiro de , quanto o permitem as 8 versoes que hd sobre este facto, quatro portuguesas e quatro maometanas, todas diferentes em detalhes. Watson, que foi agente politico no Kathiavar. Este facto foi o formiddvel elemento de apoio para os mouros prepararem raais depressa a execujilo do seu piano jd tragado da expulsao dos portugueses da India.

Uma terrivel tera- pestade comegou a rugir por toda a India, e Antdnio da Silveira, capitiio da fortaleza de Diu, percebeu que a guerra era inevittivel. Infelizmonte os portugueses n3o podiam concentrar todas as f6rr;as na defesa de Dill; porque Martim Afonso de Souza, com uma armada, andava empenliado na guerra contra uma po- derosa esquadra que o Satnorirn expedira para vingar a afronta sofrida em Kepelim e Crangauor.

Em Agosto vierarn juutar-so ao inimigo mais 12 mil ho- mens comaudados por Lurkau. Em 8 de Setembro chegou a armada turca coman- dada por Suleyman Paxa, governador que f6ra do Egipto, e assestou a sua colossal artelharia e mons- truosas maquinas para atacar o baluarte da vila dos rumes, que por estar afastado da fortaleza nao podia ser socorrido. A este tempo 14 de Setembro de. A morte livrou-o de ser preso e agrilhoado pelo delegado del-rei, que o esperava na ilha Ter- ceira. Garcia de Noronha avisou Antdnio da Silveira de que, em breve, seria socorrido e come- gou a preparar uma esquadra.

Eotretauto os turcos comegaram a bombardear o baluarte da vila dos rumes e derribaram um pano do muro, por cujas ruioas, que lhes serviam de escadas, subiram homens ao assalto. Mas, imediatamen- te, apareceram no alto do baluarte dois portugue- ses intrepidos, que, atirando panelas de pdlvora infla- madas, rolando penedos e com toda a especie de armas, que lhes passavara os seus poucos companhei- ros, quAsi todos feridos, que sobreviviam ao bornbar- deio, sustaram o impeto dos inimigos. Nao podeudo, porem, contiuuar com uma defesa tao extraordinaria, Francisco Pacheco, obtida a licenga de Antdnio da Silveira, capitulou com a condigao de que teriam todos a vida salva, mas os turcos nao respeitarara a capitulagdo e degolaram todos sem piedade.

Ufanos com esta vitdria intimaram Antdnio da Silveira a que se reudesse ; mas tiveram uma repulsa dignameute audaciosa. Lopo Vas de Sampaio prendeu 6 seu rival Pero Mascarenhas. No aeto da prisSo, Lopo Vas dirigin-se ao onvidor genii nestas palavras: Assaltaram e repetirarn os as- saltos era dias sncesxivos ; mas. Entretanto a fortaleza ia perdendo defensores, que niio podiam ser substituidos ; o socorro prometido pelo vice-rei nao chegara ; os assaltos continuavam e. Em seguida, tentaram entrar pelas rui- nas da muralha e arvorar a sua bandeira.

Product details

Deu-se, entao, um combate furioso, em que os portugueses, pelejando como leoes, oferececam uma resistencia s6bre-humana. Dois meses depois da vitdria chegou a Diu a ar- mada de D. Garcia de Noronha reparou a fortaleza desmantelada e concluiu com o sultao de- Cambaia uraa paz vergonhosa, cedendo-lhe a peso de ouro a alfanaega da vila dos rumes e o levantamento dum muro entre a cidade e a fortaleza, alem de lhe fazer muitas concessoes que ele a ferro e fogo nao tinha podido obter. A que os homens, diz ele, pelejavam com as tripas n'uma das mflos e t espada na ouira. So assim se pode compreender o que fizerar i!

Joao de Albuquerque, que chegou a Goa em Garcia de Noronha em 3 de Abril do 2 , foi reconhecido por governador D. EstevIO da Gama, indicado na 2. Foi um governador algum tanto honesto. No principio do ano partiu D. Jaz no centra da capela-mdr da so catedra! No- tarn se, contndo, graves defeitos nessa publicagSo, como num arti- go inserto no Boleiim Ofidal , n. Cristdvfto da Gama foi derrotado e morto pelo Xeique ; mas os portugueses, que escaparam k derrota, reorganisando um exdrcito com os soldados do Negus, salvaram a dinastia abissinia e o predominio do cristianismo naquelas regioes.

Estevao da Gama sucedeu jfartim AfoljSO dt Soon, que chegou a Goa em 6 de Maio de tra- zendo em sua companhia o padre mestre Francisco Xavier, que foi o Apdstolo benemdrito e 6 o santo dilecto da India. Martim Afonso de Souza, que, poucos anos antes, em capitao-mdr do mar da India praticara faqanhas herdicas, investido no governo deste Estado, tornou-se escandalcsamente avarento. Contudo, in- tr5pido e activo corao era, houve no seu tempo muitos feitos gloriosos ; descobriu-se o Japao e sujeitou-se o reino das Molucas. As dissenqdes entre os principes de Bijapur, que haviam dado e tirado aos portugueses as duas provincias, renasceram com aspecto novo.

Foi assirn que era estas peninsulas passarara pela quarta vez, l para o dominio portugues, onde, a-pesar-de repetidamente invadidas por Adil-Khan, como logo verenios, permaneceratn, ficando mais tarde incorporadas no Estado pelo tratado de paz de O governador, ouvido o seu conselho geral, assen- tou nao romper a paz com Ibraim Adil-Khan, deixando ticar Meale ein liberdade, como estava.

Assad-Khan, depois de receber esta noticia, faleceu de desgosto por lhe terem falhado as esperanqas de meter o Meale na posse do trono. A parte do territorio goes, permanentemeate ocupada pelos ixtrtugucses desdc a conquista. Afonso de Souza, Governador da ia, a Sua Magestade. Mas a fim assente como IlidalyOo, o qual me de opera El-rei nosso senhor as terras firmes daqui, que reudem 45 mil pardaos de juro e erdade, com grandes prometimentos e doayoes e soletiidudes, e alein disso me mandou 70 mil pardaos pera ajuda das armadas del Rey nosso senhor, e 20 mil pera my, a saber: Vem Deos a mata-o dahi a seis dias, e fica o Hidalyao por senhor pacifico de tudo.

E nao con- tents oom isto veo-se a my om mouro, que era muyto privado do Acedacfio, e meu amigo da outra vez que ca andey, e desta que tern recebido de my muyto boas obras: Finalraente Ibraim concertou com o governador a entrega do Meale em troca de 50 mil pardaus de ouro ; mas 6ste concerto ndo chegou ao efeito. Em foi creada a Relagiio da India; ate ai as causas crimes eram julgadas militarmente pelo audi- tor, que acompanhava sempre o governador. Joao de Castro; 2. Luin da Sousa pag. Jofto de Castro, que mais tarde recebeu o titulo de vice-rei da India. Adil-Khan, indignado, declarou guerra ao governador e expediu uma grossa fdrga contra as terras de Salse- te, a qual, depois de varias saltadas, apresentou-se era sons de batalha ao pe da fortaleza de Ponda; mas, aos primeiros golpes das arrnas portuguesas, debandou-se para os sertoes abandonando a fortaleza.

Pouco tempo depois, em , emquanto D. Jofto de Castro se achava em Diu, Ibraim Adil-Khan, para vingar a derrota de Pondu, enviou um exercito de 20 mil homens, sob o comando de um dos seus aguerri- dos generais, por nome Salabat-Khan, que se apode- rou de Salsete.

Liraitou-se por isso o capitfto a fortificar a pratja de Rachol e aparelhar alguns navios e m Aquinas, dando parte de tudo ao governador em Diu. Jofto de Castro apressou-se a voltar para Goa e, sabendo que o inimigo se achava acampado em Margfto, foi bused- lo a este sitio, mas nfto encontrou senfto os arraiaes desertos com as tendas armadas, ca- mas e mesas e os caldeirdes com a ceia ao lume; pois, momentos antes, Salabat-Khan, informado da vinda do governador, precipitara a fuga para Cuncolim, sitio quejulgavade acesao dificil aos portugueses e raais vantajoso para o caso da luta.

Salabat- Khan, com dos seus, morreram no combate e mais dois mil durante a fuga. Joao de Castro foi recebido na cidade entre ovagoes e foi ordenada uma solene procissao de todas as confrarias das Ilhas, do cabido da Se e de todos os Religiosos de Goa, em louvor do apdstolo S.

Product description

Parece-me que me insultaria a mim mesma, casando-me com outro homem. Entretanto jti governava a India D. A Iniprensa cm Goa. Em Ceilao o roi Madune, provocado pelas prepoten- cias dos nossos, enviou todo o seu exercito sob o co- raando de sea fillio Raju sitiar a for- taleza de Cota. Fernando de Menezes ; sofreu as pro v, agues de um longo cruzeiro junto do Monte Feliz. Paulina com sua habitual singeleza.

Tome, a cuja intercessilo o governador atribuia a vitoria alcangada. Alvaro de Castro, correr a costa com seis navios. Alvaro tornou e arrasou a cidade de Carabre, obrigando assim Adil-Khan a pedir a paz, que lhe foi concedida. Em rebentou a guerra em Diu. Entre esses coutavam-se mil turcos. Reunirara-se, portanto, a favor dos inimigos os povos mais guerreiros do orL. O capitao da fortaleza, 1.

Joao Mascarenhas, tinha apenas homens: Joao de Castro tinha de raanter ali o nosso predoml- nio, como fez. Khoja-Safar rorapeu o fogo contra a fortaleza e enviou uma nau com turcos para abordar o ba- luarte do mar; mas, D. Os portugueses, animados pelo seu intrepido capitao, nao cessavam de responder com o fogo da artelharia e arcabuzaria, que derribava muitos dos inimigos.

Ja sen tiara os nossos a falta de polvora, quando chegou o socorro de Goa, comandado por D. Fernan- do de Castro, mo o de 19 anos e filho mais novo do governador. Poucos dias depois o inimigo recebeu, tambem, um reforjo importante. Recrudesceram, entilo os combates e uma bala dos nossos r.

Nesses confiitos era notavel o auxilio que presta- vam as mullieres dc Diu, principalmente I. Isabel Fernandes, conhecida pelo cognome de Vclha de Diu , acudindo aos nossos combntentes corn mantimentos, lanqas e panelas de pdlvora e aearretando pedras para reparar os rauros. Tiago, e desalojou-o antes que a inaior parte da guarnigilo tivesse a noticia do perigo. Vendo Rume-Kban que o sistema dos assaltos nfio lhe aproveitava, inandou levantar nmas torres mais altas que a fortaleza; mas estas os portugueses eonse- guirarn destrui-las era sortidas, embora voltassetn dal inuitos feridos.

Kntretanto recebeu o inimigo um socorro de 13 mil lioinens, sob o comando de Jezzar-Klian e, de- pois de terem experitnentado mais uma derrota ein um assalto geral, recorreram ao sistema das rniuas. O baluatre de S. Joao foi o primeiro que ininaram sera que os nossos o pressentissern. O rebentar da mina destruiu o baluarte, morrendo 60 portugueses e entre files I.

Fernando de Castro, ' que, obedecendo ao aviso recebido de L. Fernando dc Castro — Cunhu Uivsiru, ftiscriftocs de Diu. Apos o estrondo da explosfio, entraram turcos pelas ruinas do baluarte ; mas, em vez do muro esbo- roado, encontraram uraa barreira de 5 valorosos por- tugueses, que, opondo-lhes uma resistencia mais que humana, apararam o embate da corrente, at6 que acu- dindo os soldados, que pelejavara nas outras estancias, travaram uma renhida batalha e obrigaram o inimigo a desistir da emprCsa.

Mas, os assaltos coutinuaram reduzindo, cada vez mais, a uossa guarnigao. Felizmente, chegou a es- qu'adra de D. Joao Mascarenhas a comandd-los e D. Mas, a sortida saiu-lhes infe- liz, porque, alem de morrerem 35 dos nossos no com- bate, ficaram feridos mais de cem, iucluindo D. Aproveitando a vitoria ten tar am os inimigos tomar uum impeto a fortaleza, rnas forarn repclidos. A noticia desta derrota dos nossos foi assustar D.

Joiio de Castro era Goa ; o qual imediatamente enviou a Dili uma armada de '22 caravelas sob o comando de Vasco da Cimha e, cm seguida, empregou toda a sua actividade e todos os recursos do Kstado em prepa- rar o Socorro decisive quo elf pn'tprio devia conian- dar. As donas e donzctas de Chaul nao enviaram de pre- sente a D. Jodo de Castro as suas joias para o apresto da armada , em que detcrmimva passar a Diu. Confrontando uns documentos que leu, mostrou o erudito orador que, quando D. Jodo de Castro pediu aos cidadaos de Chaul o acompanhassem, e ajudassem na empresa de Cambnia, esses cida- daos se fizeram prestes em suas pessoas e em toda a sua fazenda e haveres; acrcscentando que, se para isso nao snprissem as fazendas, suas mulheres lhes ofcreciam a idea as joias, para despenderem na guerra: As primeiras palavras da carta de 1.

Catarina assim se expressava, claro esta pie nao era conhecida do governador a quuiitidade das joias de Chaul, ncm as tinha em seu pod or. Acresce a carta dos cidadaos, juc explica nao ser esse 88 A 17 de Outubro de , partiu de Goa D. JoSo de Castro corn uma poderosa esquadra e, tendo sido recebido na fortaleza, em 6 de Novembro, com grande a! Alem disto, Gunha Rivara diz ter descoberto, aqui em Goa, ou- tro documento, que corrobora as suas conclusOes. A 22 de Feve- reiro de foi jnrado na cidade de Chaul, por herdeiro da corda de Portugal, o principe I.

Tcodosio, filho do novo rei D. So tso encarecida por Jacinto Freire; o one indica nfto haver dela roemdria nessa cidade; pois a havfi-la, impossivel seria que escapassc ao cloqiienbe paneginsta da cidade, em tHo miiida rela ao. Imlilulo Vasto da Gama , 8. Depois de levantar o assedio, D. Joao de Castro escreveu aos vereadores de Goa uina toeante carta pedindo-lhes am emprestimo de 20 mil pardans para reedificar a fortaleza. Joao de Castro nfto aceitou. Em Abril de 1. Joao de Castro a Goa, onde foi rccebido eomo tun veneedor rotnano com as maiores pom pas de Iriunfo.

Eis cotuo se fez a solenidade da recepgfio. Catarina ; e ordenou-se o cortejo triunfal ao sora das salvas e toques de trorabetas, atabales e pandeiros. Antonio do Casal, com o crucifixo que levara na bata- Iha, com um brago desencravado e pendente. Conroe Anes e o ouvidor geral Antonio Martins. Entrou na igreja de N. Francisco, onde encontrou a comunidade entoando na rua o Benedictus qui renit, e seguiu para a catedral, sendo aqui rece- bido pelo bispo e o clero ao canto do hino Te Deum laudamus. Concluidas as ceieradnias, recolheu-se o governador ao Paqo, e ordenou que, na parte do rauro que se roropera, se crigisse uma capela a S.

Joiio de Castro adormecer sobre os louros conquistados. Teve de cotnbater com Adil-Khau afim de assegurar a tranqiiilidade de Salsete e Bardes ; e partiu de novo para l iu com uma esquadra importante, por llie coDstar que o sul- tfio de Cambaia pensava etn reconquistar aquela pra- qa ; mas, o sultilo, vendo que os nossos estavam prc- venidos, desistiu da emprcsa e D. Joiio de Castro li- mitou-se a bombardear a costa. Joiio de Castro voltou a sua atenqilo para os negdcios internos, seguindo uma politica que lembra a de lord Cornwallis em Bengala na histdria posterior da India; fixou os salsi- rios dos oficiais civis forccjando por por termo ao sistema de corrupqiio e peculato com que defraudavam, ao mesmo tempo, o tesouro real e os indigenas.

Alvaro foi agra- ciado com o pdsto de capitao-mor do mar das Indias. De tudo isto se ve que D. JoAo de Castro era urn vulto nobre, sirapatico e austero ; e se a sua gran- deza moral parece As vezes misturnda coni uma pon- tinlia de ostentayao, era talvez porque o grande herdi e santo entendia que, nuraa epoca em que o vicio reinava desenfreado, tinlia a virtude de ser aparatosa e deslumbrante. A feiyiio roraana do seu cardcter liavia sido amoldada pelos desenhos de Plutarco, de quem se apaixonara.

Triunfou como pagao e morreu conio cristilo, diz algures um escritor. Com a morte de D. Joao de Castro foi reconhecido como governador Garcia do Sa, na con- forraidade da 3. Joao Mascarenhas e Jorge Tello, designados nas primeiras duas patentee. Pouco tempo depois, o rajs'i de Calicut, o de Tannor e mais alguns reis do Malabar coligaram-se contra os portugueses, e, em um combate que se deu na ilha de Bardela, Francisco da Silva foi tnorto. Mas, Manoel de Souza de Septilveda, o herdi do celebrado poeraa de C6rte-Real, obrigou o rajd de Tannor a uma paz onerosa. Jorge Cabral foi, em pessoa, assolar a costa de Calicut e arrasou Torah, Coulete e Panane, e teria reduzido o Samorim a ul times apuros, se n5o tivesse de entregar o govfirno ao sucessor.

Afonso de -Noronha, D. Pedro Mascarenhas e Francisco Barreto. Daqiii vieram as multiplicn- das guerras, que ocuparam todo o govi'rno de D. Afonso tinha energia suficiente para afrontar esses perigos ; mas, com o exemplo das extorsoes e rapinas que deu, mostrou-se improprio para operar ns reformas, de que vinha incuinbido.

SONHOS D’OURO

Encontraram-se as fustas com cinco galeotas turcas, de que era comandante Safar, valente general do paxA do Egipto, e, depois de um asperrimo combate em que os portugueses pelejaram com a costumada audacia, Luis Figueira foi tnorto e aprisionada a sua fusta. Antuo de Noronha, c, auxiliado com 3 roil soklados pclo rei de Ormuz, e com algumas tropas pelo capitao desta fortaleza, partiu para Katif, bateu a cidade com a sua artelharia e, a liora em que ia dar inn assaito, percebeu quo a guarnigao fngira secrctaraeute. Toruou, portanto, posse da fortaleza sem ter sofridc quiisi neuliuma perda; quando, porem, tratava de demolir 0 castelo para evitar novos eonfli- tos com os turcos, uma siibita explosao de minas malou-lhe mais de 40 portugueses.

Antao de Noronha teria, tambem, expulsado os lurcos de Bassoru, que eram uma constante ameaga para Ormuz: A lvaro de Noro- nha, comandante desta fortaleza, tinha uma forte tro- pa de horoens, gragas a uma nau portuguesa, que arribara a Ormuz. Antes de partir, propos Epir-bey a 1. Desapontado com esta resposta, Epir-bey saqueou Ormuz e a ilha de Kismis e retirou-se.

Entretanto o vioe-rei, que partira de Goa com uma armada do 30 uavios em Socorro de Ormuz, eucon- 96 trando em Diu a noticia de que o cerco jsSi estava le- vantado, uiandou, uma csquadra para cruzar no Golfo Pdrsico e regressou para se ocupar dos negdcios do Malabar. Tal era o castigo com que, nesse pais, se punia tanto a infelicidade como a iru- pericia dos generais. Afonso de Noronha, querendo, entao, toruar maiores preeaugoes para o lado de Ormuz, mandou seu filho D. Em Agosto de , veiu jogar uova partida mais um capitao turco, por nome Ali-Xebuly, que pro- jectava unir-se a Murad-bey em Bassora ; mas, antes disso, perseguido pelas caravelas de 1.

Pedro da Silva, comandante da fortaleza, apareccram, de 97 Singapura e outros portos vizinhos, alguns navios portugueses em socorro. Em 12 de Agosto, os inimigos deram um assalto geral. Pedro da Silva, que felizmente estava prevenido e tinha disposto sftbre os muros uns mastros enormes, que havia tirado aos navios inserviveis, vendo os irtalaios escalarem de madrugada as mnralhas, esma- gou-os atirando sobre cles essas pesadas traves e por cima sucessivas panelas de polvora.

Ao mesmo tempo, os jaus assaltaram a fortaleza doutro lado ; mas nfto sairam impunes. Pedro, avisado a tempo por uma mulher como em Diu, con- seguiu tambem dcsbaratsi-los com graves perdas. Vendo os sultoes o dano que tinham recebido neste assalto, assentararu reduzir Malaca pela fome, que efectivaraente foi crescendo, a ponto de faltarem ab- solutamente os raantirnentos.

Pedro da Silva, nilo tendo outro recurso, langou mao de um estratagema, que por uma fortuna salvou a fortaleza. Pois, enviou alguns navios com ordem de devastar as terras dos reis sitiadores. Os raalaios, em vez de assaltarem neste momento a fortaleza, que, qudsi completamente desguarnecida por essa diversito, teria caitlo nas suas mfios, desistiram do eeroo para acudirem a seus rei- nos. Ficaram em tdrno de Malaca s6 os jaus que obstinadamenie nfio quiseram afastar-se.

Mas Oil Fernandes de Carvalho, com permissito do comandan- te, fez uma sortida, it testa de homens, e foi tao feliz, que dispersou os inimigos obrigando-os a em- barcarem. Assim, ficou Malaca livre do assedio mais terrivel que atd aqui sofrera. Em com a morte de Mahmud, sultilo de Cam- baia, insurgiram-se os mouros de Diu e principiaram negar aos portugueses os rendimentos da alfdndega. H8 Mas, a sublevagSo t'oi reprimida, sendo derrotados e expulsos os moiros por D. Diogo de Almeida, gover- nador da fortaleza, e seu sucessor D. Diogo de No- ronlia.

Emquanto estas e outras vitorias de um lado abrilhantaraiii o vice-reinado de D. Afonso de Noro- nha, os outros pontos do nosso dominio eram testemu- nhas do despotismo dos portugueses e das mais vergonliosas depredates praticadas pelo prdprio vice-rei. Xas Molucas Bernardim de Sousa, comandante da fortaleza, homem violento e obstinado, nfto queria que os reis dessas ilhas tivessem for- Uuerra lias talezas nos seus reinos, porque isso Molucas im porta va, dizia ele, uma prova de desconfianqa contra os portugueses. Por um pretexto desta ordem declarou guerra ao sul- tao de Geilolo e ccrcou-lhe a fortaleza.

Os portugueses rasgaram a capitulate e, alein de saquearem a cidade, mataram barbaramente os habitantes. O pobre sultao, n;lo po- deudo suportar a dAr, fugiu para os matos, donde nunca mais sain, protestando assim contra a perfidia e crueldade dos portugueses. Na illia de Ceilao, Madune, raja de Ceitavaca, estava em guerra aberta com o de Cota, nosso aliado. Durante a menoridade do seu herdeiro, assumiu a regencia seu parente Tribuly-Pandar, que prosseguiu a cam panha. Entretanto jti governava a India D.

Afonso de Noronha, que, informado dos factos, julgou ocasiSo oportuna para ccvar a sua cobiga. Partiu com uma esquadra a Ceilao e o pritneiro passo que deu, foi meter a tormento os crcados da casa do raj A falecido para que lhe descobrissem onde era o tesouro dos antigos reis. Nao podendo conseguir a declara- gao desejada provavelmente porque esse tesouro nSo existia , saqueou o palacio e nao quiz ir auxiliar Tribuly-Pandar contra Madune, sem que lhe prome- tesse pagar, como para as despesas da jornada, mil pardaus de ouro em duas prestagoes.

Recebidos logo 80 mil, que foi o que o regente p6de apurar vendendo joias e outros objectos, entrou na guerra e toraou Ceitavaca; mas a presa que fez, incluindo a riqueza de um templo, guardou-a toda para si, nao obstante ter estipulado com o seu aliado dar-lhe me- tade; e, a-pesar-de tudo isso, abandonou-o no resto da campanha, por este lhe nao poder apresentar os 20 mil pardaus, que devia a conta da pri peira presta- gao! Pouco depois tratou o vice- rei de prender Tribu- ly, para o obrigar a pagar a quantia devida; mas, sabendo que 6ste fugira, prendeu o camareiro-mdr do rei, que so obteve a liberdade mandando a D.

Afonso uns 5 mil pardaus a bom custo reunidos, obri- gando-se por um escrito a pagar-lhe o resto por todo aquele ano. Nao satisfeito com estas exacgoes, D. Afonso, ao sair de Ceilao, recomendou ao capitao de Colombo que prendesse Tribuly, logo que o pudesse e o man- dasse para Goa. E efectivamente, passado algum tempo, Tribuly foi preso, mas fugindo da prisao mo- veu uma funosa guerra aos portugueses, que, afinal, terminou por umareconciliaqao. Duarte de Ega e o seu imediato sucessor. Pois tratando o rei de Cota de continuer a guerra contra Madune, D.

Duarte proineteu, e jurou sob re um missal, ir auxilia-lo com 50 portugueses e, por pagamento, recebeu logo mil cruzados. No mo- menta da raarcha exgiu maior paga e sacou mais cruzados, e, em troca, mandou-lhe apenas 20 solda- dos. E, depois de tudo isso, D. Duarte nao teve o es- crupulo de cartear intimamente com o inimigo e acei- tar-lhe dinheiro; o que tendo sabido o rajYt de Cota, e receando alguma traiyao dos 20 portugueses, desis- tiu da empresa, mandando k pressa recolher as suas tropas!

Duarte procedeu aiuda pior, porque recebeu dinheiro e nunca mandou o auxilio jue prometeu. O raja de Cota, entuo, enojado desta impudente desraoralisaqfto dos seus aliados, com quern nao podia contar para a guerra, preferiu fazer com o seu adversdrio a paz menos onerosa possxvel. O eco destas vergonhas chegou felizmente ao gover- no da metropole, que ordenou ao vice-rei restituir ao rajd de Cota tudo quanto Ihe fora roubado.

Durante o governo de p. Francisco Xavier na ilha de Sanchao Afonso de Noronba maudoa fazer do ouro, joias e dinheiro, 3 ne achoa em casa do rei de Ceilao, no pagode etc. Sao tres factos importantes para a histdria indo-portuguesa e que entre si se relacionatn, corao varnos a ver. Luis de Camoes vein em 1. Bento, tinica da armada do capitilo-mdr Fermlo Al- vares Cabral que chegou a Goa. Aqui, a sua vida foi too tcmpestuosa Canutes cm coino em Portugal. Fernando de Menezes ; sofreu as pro v, agues de um longo cruzeiro junto do Monte Feliz.

Em , por ter escrito mua sutira, como adiaute veremos, foi desterrado pelo governador Francisco Barreto para as Molucas, donde partiu para Macau. Nessa ilha exerceu o cargo judicial de Pro- vedor-m6r dos defunctos e ausentes, e escreveu, segun- do diz a tradigao, o setimo canto dos Lustadas , numa grata, que ainda e conhecida pelo nomc de Cruta de Camden.

Da ida para Macau naufragou ' na costa de Cambodja, salvando a nado o seu poema na foz do rio Mecon. Voltando a Goa em , no vice-reina- do de D.